segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NATAL ! Em algum lugar no deserto


EM ALGUM LUGAR NO DESERTO

(*contado numa tela dois mil e seis anos depois)
Parecia ser um dia igual aos dos últimos cinco anos daquele menino franzino, que vagava pelas regiões do deserto. Era bem moreno, magrinho e narizinho perfilado, cabelos longos escuros, olhos castanhos. Curtido pelo sol do dia e o frio da noite. E, claro, também tinha seus amigos. Era muito esperto, mas a tenra idade não o deixava entender bem as coisas dos adultos. Havia muito movimento naquele dia. Muito murmúrio, muito falatório a respeito de sua cidade, de seus vizinhos... Dos últimos acontecimentos, de uma tal “manjedoura” com um menino deitado nela... Camelos, animais, anjo... “Contavam estórias”... Quem seria?
Os pensamentos abstratos, principalmente os espirituais, são sempre suposições e contos verbais, ou algo ligado à fé (Hb 11,1 ss) “A fé é o fundamento do que se espera e a convicção das realidades que não se vêem”. Sempre é assim, também quando se fala sobre os episódios e parábolas bíblicas. Quanta coisa para crer e compreender!
Estas questões também começavam soprar naquela cabecinha esperta. Sabia o endereço de sua vila, junto de Belém; sabia até os nomes dos “homens” que mandavam em tudo: Herodes, Quirino, César. Quanta informação para aquele menino... Só não se convencia daquela “estória” que andavam contando pelas esquinas; só não se convencia da “sorte” de muitas crianças como ele.
Naquela tarde ao por do sol, encontrou seu mais querido amigo. Um menino tão parecido com ele; um pouco mais novo. Eram em tudo tão parecidos que se consideravam irmãos. E começaram a conversar sobre estrelas, reinados, nascimento. Tudo a jeito deles, mas com sua infantilidade “inteligente”; isto mesmo: “inteligência precoce”. Perceberam que a história mais “falada” naquele dia era muito parecida com as suas próprias vidas. Nasceram em simplicidade, em berço bastante rude, numa noite muito estrelada, na periferia da cidade, que os “mais velhos” até diziam estar iluminada por uma estrela muito grande que parou num determinado lugar, fora da vila. E que muitos vieram de bem longe... E que muitos até nem acreditavam... E que muitos admiravam...
E assim, aquelas duas criancinhas sonhavam de olhos abertos, vendo que em meio àquela poeira que os amarelava, naquele lugarejo esquecido pelo resto do mundo, alguma coisa havia acontecido. Tanto falatório, tantos preparativos... Será que um daqueles reis soberanos estava para chegar? Será que já chegou e não viram, nem perceberam? Porque tantas mães choravam e ao mesmo tempo, as suas mães se alegravam? Concluíram, em sua ingenuidade e infantilidade: “Seja lá quem for, já estava ali, e não era de hoje”. Eles sentiam e sabiam disto. Mas não podiam explicar. Eram pequenos demais e simples demais, para mostrar suas conclusões aos “mais entendidos”; para que acreditassem neles. Era tudo tão fácil e simples para aqueles dois meninos empoeirados. “O menino Rei havia nascido já fazia cinco anos”! E ninguém se dava conta ?! Não compreendiam...
E foram dois: O menino do deserto, pouco tempo antes... e o outro, seu amiguinho irmão, logo depois.
Quanta confusão para as cabecinhas tão inteligentes mas tão simples. E porque os mais velhos faziam tanto barulho, comilança, festança, quando tudo lhes parecia tão singelo, simples e belo. Tão cheio de esperança e amor. Não, não compreendiam, e nem era para compreender... A estrela estava de novo lá, brilhando muito... “Muitos já tentaram compor a história do que aconteceu entre nós, assim como nos transmitiram os que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra”.
É mesmo, muitos contaram esta “estória” de pai para filho; muitos esculpiram esta estória nas pedras, nos mármores. Nos muitos “contos da vida”. Pintaram em paredes, murais, telas e papéis. Pintaram a estória do menino do deserto e seu amiguinho, que juntos cresceram e viveram, um a falar do outro. E que deserto!
Um pagão convertido de nome Dr. Lucas, tempos depois, transformou esta “estória” em história. (Lc 1,1 ss)
O menino do deserto, foi na frente: “Caminhará diante dele no espírito e no poder de Elias para reconduzir os corações dos pais para os filhos e os rebeldes para a sabedoria dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo bem disposto” Seu amiguinho, seguiu depois, e disseram dele: “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará na casa de Jacó pelos séculos e seu reino não terá fim”. O menino e seu amigo cresceram, tornaram-se homens; morreram jovens... porque não acreditaram Nele... porque eram João e Jesus. Mas ambos deixaram, a partir de lá do deserto, em meio às “muitas poeiras da vida”, o sopro da luz, da verdadeira luz da vida. O Espírito de Deus. Ensinaram a vida no Amor fraterno para a Paz; na certeza da única Fé; e a genuína Esperança. Para sermos “sal da terra e luz do mundo”.
FELIZ E ABENÇOADO NATAL A TODOS NESTE MUNDO QUE É DE DEUS.
Fraternalmente em Cristo Jesus, aquele menino do deserto que veio depois.

W.L.Berner e Família / Natal 2001 ~2009 / (Têmpera vinílica sobre tela 2,3m x 1,3m)
(*Nota= O texto foi escrito em 2001, portanto quando digo "dois mil e seis anos atrás", preservo a data 2001, ou seja: Para os anos subsequentes deve ser acrescentado a diferença. Ex.: em 2009, o fato se deu a dois mil e quinze anos atrás. Reflita portanto a "data de nascimento de Jesus e de João...)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ADVENTO a boa-nova que antecede o Natal


ADVENTO

Eis o momento de Luz. "Voz que clama do deserto: Preparai o caminho do Senhor" (Mt 3,3).
Sim, já Isaías a seu tempo proferia estas palavras (Is 40 1ss), e até aos dias de hoje, ouve-se este clamor.
Advento. O anúncio da "boa nova", a preparação espiritual da cada cristão para o "memorial natalino".
Popularmente, ou comercialmente, esta atmosfera santa foi para planos secundários, e logo surgiram junto com todos os belos enfeites, as guirlandas, coroas, sininhos, e inclusive a árvore. Nos países nórdicos, a "coroa de Advento" é um símbolo significativo, pois quer lembrar a "boa nova" que se anuncia.
Esta palavra vem do latim “Adventus” e significa “notícia”, “anunciar”, mas também foi utilizada como “olhar para trás, para o passado” e de lá trazer as notícias...
A Coroa de Advento. Seu primeiro arranjo se deu nos anos de 1833 quando o Teólogo evangélico Jochann Wichern (1803-1881), fundador da “Rauhe-Haus”, um ancionato em Hanover, utilizou uma montagem circular com velas para ilustrar suas meditações a partir do 1º. Advento naquela casa. Os anos se passaram e este símbolo se popularizou e após 1850 este arranjo ganha em seu adorno os ramos de cipreste, mas somente depois da 1ª. Guerra Mundial, o “movimento jovem” de então, compôs esta estrutura conhecida até hoje.
Não se trata de um elemento venerativo, mas de um símbolo importante que antecede o momento festivo da data magna. E' dos símbolos natalinos o mais significativo depois da árvore de Natal. Sua apresentação popularizou-se nas formas mais criativas: redonda; quadrada; linear; em palha seca; em ramos; com flores; e dispostas nas portas e janelas; vitrines comerciais e mesas. Simplesmente para alegrar e enfeitar. Mas seria apenas para enfeitar ou teria algo mais em seu significado? Ela é construída a partir de um aro de sustentação, um anel como uma aliança. Este "aro" faz recordar a união, a aliança de Deus com os homens. (Gn 9, 11-13) "porei nas nuvens o meu arco; será por aliança entre mim e a terra". Lembra a aliança de Jesus na Santa Ceia: (Lc 22, 19-20) "depois de cear, tomou o cálice dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue...". Sim, uma aliança de paz, comunhão e amor entre os homens. A este arco, unimos uma quantidade grande de ramos, através de um fio; um arame, forte o bastante para sustentar esta união; forte o bastante como nossa fé que nos une e mantém em Cristo, assim como Jeremias disse: (Jr 50, 5b) "vinde unamo-nos ao Senhor, em aliança eterna que jamais será esquecida". Estes ramos são ciprestes, verdes e exuberantes e de aroma suave. O cipreste é citado na Bíblia, como exemplo revigorante: (Is 55,130) "em lugar de espinheiro crescerá cipreste... e será para a glória do Senhor". Ou ainda, (Os 14,8) "eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim se acha o teu fruto, diz o Senhor". Cada ramo destes, por pequeno que seja, representa uma vida; a sua, a minha, a do pobre e a do rico. Mas, observe: colocamos também ramos de videira e galhos secos e, alguns enfeites. Cristo diz: (Jo 15, 1-10) "eu sou a Videira, vós sois os ramos". Almejemos ser estes ramos de aroma suave, que produzem frutos de amor, de fé e comunhão. E os galhos secos nos lembram as palavras do Senhor: "todo ramo que estando em mim não der frutos ele (o Pai) o corta; e todo aquele que der fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda" (Jo 15,2).
Depois de montada com os ramos, a envolvemos com uma fita vermelha. Esta fita simboliza o ato da aliança pelo sangue de Cristo, que nos enlaça a cada Ceia, na remissão dos nossos pecados. Que mesmo havendo aquele "arame da união", nos mantém unidos e seguros.
Observe os pratinhos, que sustentam as velas. Tão insignificantes! Estes simbolizam o sustento da vida, assim como no Salmo 54, 4: "eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor é quem me sustenta a vida". É bom saber que nossas vidas têm Deus e Seu amado Filho como amparadores.
As velas geram luz e resplendor. Significam a Vida por excelência. Não faltam citações na Bíblia para esta simbologia: (Jo 1, 1-5) "e a vida era a luz dos homens"; (Mt 5,14) "vós sois a luz do mundo". E somos constantemente lembrados e exortados: (Jo 12,36) "Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da Luz". Viver na Luz, é entregar-se à vida como um sol que nasce e se põe, mas brilha sempre.
Os enfeites são pequenos símbolos que mostram o quanto somos amados por Deus que nos enriquece a vida com tantas coisas belas, com tanto carinho, com tanto amor. São as marcas das "Belezas do Criador" nas veredas pelas quais caminhamos.
A Boa Nova: Cristo veio, vem e virá. Pois é, não bastam tantos símbolos contidos em nossa coroa, que querem nos lembrar de tantas mensagens antecedendo ao Natal. Que querem lembrar o verdadeiro sentido desta vida que Deus nos concedeu.
Advento é momento de reflexão, de revisão, de busca do perdão. É momento de preparar-nos para o que haverá de vir em plenitude de glória. "Voz que clama do deserto: Preparai o caminho do Senhor" (Mt 3,3).
Nos quatro domingos que antecedem ao Natal...
No primeiro Advento, acendemos a primeira vela. (Mq 5, 2) "E tu Belém, Efrata, pequena demais... de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da Eternidade". A boa-nova profética da vinda do Messias.
No segundo Advento; no segundo domingo surge mais uma luz a brilhar: (Lc 1,19) "O anjo traz as boas-novas de Zacarias, anunciando um filho que será o precursor de Cristo, a voz que vem do deserto... João Batista". Aquele que nos conclama à preparação, à acolhida.
No terceiro Advento. Ah! A terceira vela é acesa e anuncia antecipadamente: (Lc 2,10) "eis aí vos trago boa-nova... é hoje que vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador". Polêmica antecipação? Ou remete-nos à anunciação de um fato já realizado? Cristo nos nasceu. Preparemo-nos ao memorial da Graça.
No quarto Advento. Sim esta é última vela, sem que seja a última luz... (Hb 4,2a) "porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles...". Fato vivido, fato narrado. O testemunho de ontem através dos tempos até nossos dias. "Deus se revela a nós através da história", a história de cada pessoa individualmente; de cada povo... de cada época.
E depois, vem o Natal... (só depois!).
Especulações sobre um fato real já vivido? Cristo veio, vem e virá. Estas boas-novas, hoje, significam não apenas ver belos enfeites, lindos presentes, antecipar ou abreviar fatos... Mas, enxergar a verdadeira mensagem de Deus. Estar atento ao significado de cada símbolo presente nesta época. Estar atento ao verdadeiro sentido da vida que Deus nos confiou, para sabermos administrá-la num permanente "Advento" no testemunho do viver em Cristo. Tenhamos portanto, em nossos corações esta Coroa da Aliança e da Boa-Nova, que junto com a "Coroa do Calvário" selam o verdadeiro sentido do Natal.
Feliz Advento 2009
W.L.Berner / foto Coroa de Advento

terça-feira, 17 de novembro de 2009

E PAPAI NOEL EXISTE?

Todo ano a cristandade comemora o Natal.
Festa magna da cristandade que relembra o nascimento de Jesus.
Hoje em dia, até alguns povos ditos “não-cristãos”, também celebram esta “grande festa” em que damos, e recebemos, presentes num gesto de alegria, amor e fraternidade. Apenas um compromisso social?
Os Magos levaram para o Recém-nascido, três presentes: Ouro; Insenso; Mirra.
Seria daí a origem de se presentear? Creio que o maior presente, é exatamente Deus vir ao mundo em forma de gente como você e eu.
Este “presente” que é o Ouro do Presépio, é Jesus.
E o “bom velhinho”? Conta-se que um senhor começou a distribuir presentes para crianças humildes de sua cidade. Esta estória é linda.
Mas para nossa realidade hoje, esta figura tão folclórica existe?
Nos meus já bem vividos anos, hoje alguns cabelos brancos, e uma linda netinha, reafirmo, com certeza: Sim Papai Noel existe sim!
O evangelista Mateus, (cap.25,vs.45) dá uma “pista” da presença deste “senhor das bondades”. Sim, toda vez que cada um de nós fizer o bem a uma pessoa humilde, a uma criança, a uma pessoa idosa, aí estará o sentido do amor fraterno que aquele primeiro “bom velhinho” fez em nome de Jesus, que é o maior de todos. É este, que nasceu no Natal, o maior presente de Deus, e Ele nos diz: “Amai-vos uns aos outros...”. Pois então, não só no Natal, mas ao longo de toda nossa vida, ao praticarmos o amor ao nosso próximo, estaremos sendo um “pouquinho de Papai Noel”. Ora então, êle existe no nosso gesto de amor; na felicidade de uma criança, na alegria do humilde. Nos olhos que brilham quando podem dizer: “Te amo Jesus”.
“Poucas palavras produzem grandes efeitos, mas um pequeno gesto, como o carinho de uma flor, fomenta a paz com grandioso amor”.
Um abençoado Tempo Santo, e um ano cheio de Papai Noel.

Walter, Natal 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

COLETIVA BERNER-ARTES 2009 E ENCERRAMENTO

Confraternização Berner-Artes 2009 Encerramento da Coletiva
Caros colegas,no dia 29 de novembro de 15h às 17h, estaremos nos confraternizando na Sala Djanira e encerrando nossa coletiva.
Nesta dia estaremos entregando os certificados aos participantes e aos patrocinadores.
E ESTAREI SORTEANDO DOIS QUADROS DE MINHA AUTORIA
Vamos participar todos e peço que tragam um pratinho de salgados e  um cartão de Natal para 
troca entre os colegas.
 
 
AGRADECEMOS A TODOS QUE ESTÃO PRESTIGIANDO ESTA COLETIVA