sábado, 31 de outubro de 2009

COLETIVA BERNER-ARTES 2009



Foi grande a alegria e confraternização fantástica entre as e os Artistas e seus convidados neste evento que apresenta a coleção dos trabalhos inéditos 2009
Confira em www.berner-artes.com/ (página "em destaque")
À noite tivemos mais de oitenta pessoas presentes e uma alegria muito grande em estarmos juntos nesta comunhão artística.
Agradecemos também as pessoas que nos prestigiaram, e aos Patrocinadores.
A Coletiva acontece na Galeria Djanira / Centro de Cultura / Petrópolis,RJ
Eis na íntegra o "release" afixado na Coletiva:

A COLETIVA BERNER-ARTES 2009 agrupa uma coletânea de obras de arte dos integrantes dos Ateliês "BERNER-ARTES" e "OBELISCO", ambos sob a orientação e coordenação do Artista Plástico Walter Berner que atua neste setor a 45 anos. O grupo apresenta suas mais recentes obras em linguagens plásticas variadas tanto abstratas como figurativas e técnicas específicas como aquarela; pastel seco; óleo; acrílica. A equipe acumula uma caminhada conjunta de 12 anos com mais de 30 coletivas neste período, com colegas veteranos e também a participação dos recém chegados. Nesta coletiva os visitantes poderão apreciar a Arte em várias vertentes autênticas, percebendo-se no conjunto uma identidade pessoal de cada participante, onde a orientação profissional do Berner, se concentra nas diversas técnicas, deixando a criatividade aos cuidados de cada artista em particular.


Convidem e visitem: Aberto até 29/11/2009 no horário do Centro de Cultura
Fraterno abraço e carinhosos agradecimentos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os dois lados do nosso cérebro


Os dois lados de nosso Cérebro

Se observarmos o nosso cérebro, visto de cima, parece uma noz. Segundo estudos científicos, o lado (hemisfério) esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito do corpo e todas as funções e aptidões ligadas a linguagem, a razão, e a lógica. Conquanto o lado (hemisfério) direito do cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo e as funções sensitivas, emocionais e criativas. Em breves palavras, procura-se compreender as funções cerebrais que controlam toda nossa capacidade motora e sensitiva.
No século passado, entendiam os médicos, que a grande maioria de nossa capacidade geral, vinha do hemisfério esquerdo, e que, o hemisfério direito era de pouca utilidade. Após exaustivas análises, e principalmente observando-se as reações de pessoas acidentadas no cérebro (principalmente as atingidas no lado esquerdo), pôde-se constatar estas diversidades potenciais e que as funções eram (e o são) evidentemente fortes e plenamente aproveitadas pelo indivíduo, desde que assim o queira.
Constata-se portanto que “o hemisfério esquerdo é verbal e analítico, enquanto o hemisfério direito é não-verbal e global (pleno)” Isto equivale dizer que temos ao nosso dispor todo o poder para assimilar e processar as informações analíticas e da razão, da mesma forma e na mesma intensidade que nossos sentimentos, criatividade e emoções.
Basta que nosso “ser” assim o deseje e principalmente o pratique em sua “máxima”.
A força de nossa mente, a capacidade de concentração individual é sem dúvida, o cerne de toda criatividade e principalmente o maior potencial de vida e de arte (arte de ver, ouvir, transmitir, falar, cantar, escrever, pintar, interpretar), a grande arte de amar...
Assim por exemplo, a “criatividade infantil”, a maneira espontânea da criança se manifestar e de criar suas fantasias e suas estórias, devem ser alimentadas por aqueles(as) que estão responsáveis por sua educação, alimentando e exercitando constantemente o uso do hemisfério direito.
Isto significa que uma criança, um jovem que está motivado a ser criativo, é apto à prática artística (qualquer que seja esta arte: plástica, música, teatro, escrita poética...)
E quanto mais cedo se estimular este hemisfério, da sensibilidade, do amor, da intuição, do criativo, tanto mais dinâmico e prático será o hemisfério oposto, portanto a própria personalidade individual.
Já dizia Salomão: “Ensina a criança o caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios, 22:6).
Constam dos arquivos científicos, que o ser humano somente aproveita 5% de sua disponibilidade cerebral...
Assim sendo, nos surpreendemos com o quanto nos é fértil e “livre” o nosso “arquivo intelectual”.
Podemos, independente da idade, fazer uso desta disponibilidade estimulando estas funções através de exercícios próprios, através da força de vontade e “acreditando em seu próprio potencial criativo”.
As artes, em especial artes plásticas, o desenho, as técnicas de gravura (a xilogravura, metalgravura ou mesmo a serigrafia), a aquarela, e sem dúvida, a música e a escultura, são perfeitos estimuladores e tranqüilizadores, independentemente do “dom da arte”, que aliás é um tema à parte para uma discussão bastante interessante (esta questão de ter ou não ter “dom”...)
Fato é que, comprovadamente, nosso poder intelectual ainda tem muito espaço para armazenar informações, e para começar novos rumos ou novos desafios mesmo em idades mais avançadas. Exemplos não faltam, de pessoas que muito cedo se revelaram altamente criativos, ou aqueles(as) que em idade mais avançada, após longa vida profissional em área totalmente diferente, se despertaram para as artes com surpreendente valor artístico, como por exemplo Mary Moses, que começou sua carreira aos 80 anos e foi neste “novo” rumo até aos 101 anos de idade...
Deixo aqui um pensamento, para nossa reflexão:
Arte é a habilidade do fazer com perfeição, propriedade e sabedoria, associado à força intuitiva e ao amor.
Portanto basta querer dedicar-se, e estimular os sentidos disponíveis, e veremos grandes realizações.

Educando & Educador


Educando e Educador
Uma das grandes missões da vida em família está exatamente na educação dos que trouxemos ao mundo. Nossos filhos e filhas. As questões de educação e principalmente de convivência ocorrem não só naquele meio, mas em várias áreas da caminhada das pessoas, desde seus primeiros passos e para sempre. A vida é um eterno aprender e ensinar: “É bom ser adulto o bastante para poder ensinar, e suficientemente criança para sempre aprender”.
Pois é, somos sempre adultos e sempre crianças... Independentemente da idade. Depende de quem está ensinando e de quem está aprendendo.
Geralmente a relação se dá apenas em uma via, isto é: o mais velho quer impor sua experiência ao mais novo. Quando se está ao nível de relacionamento “pai (mãe) filho/a”, me parece que esta relação é mais acentuada.
(Ef 6,4) “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”.
Parece um tanto confuso este proceder. Remete a uma linha de educação “liberal” que vimos acontecer especialmente nos anos 70 a 90, ou ao “radicalismo fundamentalista”.
No entanto, vemos também em várias áreas da educação que o ser humano é de certa forma “pressionado” a assimilar diretrizes e preceitos, sem falar de mitos, ritos, preconceitos, modismos, caprichos... Enfim, é um “batalhão de normas” só para ser “um bom menino na sociedade” em que vive. Se olharmos bem, repito, independentemente da idade, é a relação educador - educando. Esta relação, no entanto, é extremamente saudável na proporção do entendimento sobre a eficácia do diálogo, ou seja: “... ser adulto para ensinar e ser criança para aprender...” O exemplo de vida é a consolidação de nossos passos; é a maneira de enxergar determinada situação ou coisa, de ver sua praticidade, entender sua lógica no contexto e colocar em prática. Revela-se assim a verdadeira relação de diálogo.
A principal diferença entre um indivíduo e uma pessoa é exatamente a diferença ente impor e dialogar.
O amor que Cristo recomendou fundamenta-se na relação fraterna. Convém refletir sobre 1Co 13, 1ss, em especial o versículo 13: “No presente permanecem estas três: fé, esperança e amor; delas, porém, a mais excelente é o amor”. Leia-se aqui “amor” como “caridade” segundo algumas traduções bíblicas. Seja como for, onde houver esta ênfase: fé, esperança e amor, tudo o mais será conseqüência frutificante, e não o meio aliciador.
Mas... E se nada disto acontece? Se o “individual-ismo”, em todos os sentidos, persistir? Se a solidariedade, a fraternidade, a comunhão, a compreensão... deixar de fazer parte do nosso “ser”? Então ore. Converse com Deus, com o Pai misericordioso...
O Salmo 27, 10 lembra: “Se meu pai e minha mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá”.
Esta certeza é por demais gratificante e nos garante a misericórdia divina.
Outra vez o Salmista nos aconselha (Sl 37,5-7a):
“Confia teu caminho ao Senhor e nele espera! Ele atuará, ele fará surgir tua justiça como a aurora, e teu direito como o meio-dia. Descansa no Senhor, e espera nele!”.
Educador ou educando; pai e mãe, ou filho e filha, não importa. O que mais produz frutos é saber que o amor é soberano, e que tanto o “educador” como o “educando”, isto é: tanto aquele que propõe ensinar como aquele que deseja aprender, ambos tem muito a dar e a receber.

sábado, 24 de outubro de 2009

QUEM SOU EU

Quem sou eu?
Todos os seres humanos estão em constante questionamento quanto às suas origens, quer do ponto de vista étnico, social, político e até econômico. Mas certamente a busca mais intrigante e incessante é a resposta à sua identidade como “ser”, a sua constituição e estrutura espiritual.
Certamente que diante desta pergunta milenar, qualquer pessoa se ancorará em sua “crença” básica, isto é, buscará encontrar a resposta mais convincente, se isto é possível, nas “bases” da sua formação cultural e conceitual.
Para o cristão não é diferente.
O cristão temente ao Criador, certamente buscará encontrar sua resposta nos fundamentos de sua fé.
Portanto, se assim é, torna-se imprescindível em primeiro lugar, reconhecer esta “fonte”, qual seja, o Credo Apostólico, ou Niceno, que é professado ao longo destes dois mil anos do cristianismo.
Em que e em quem crê o cristão:
Credo Apostólico
"Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao mundo dos mortos, ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu e está sentado a direita de Deus Pai, Todo-Poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espirito Santo, na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém."
Credo Apostólico Ecumênico
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,que foi concebido pelo poder do Espírito Santo. Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos. Ressuscitou ao terceiro dia. Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Universal, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressureição do corpo, na vida eterna. Amém.
Credo Niceno Constantinopolitano
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Cremos em um só Senhor: Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que, por nós e por nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria, e se fez homem. Foi tambem crucificado, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. Virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim.
Cremos no Espírito Santo, o Senhor que dá vida, e procede do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado; Ele, que falou pelos profetas.
E cremos na Igreja una, santa, universal e apostólica. Reconhecemos um só Batismo para remissão dos pecados. E esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, criador do céu e da terra:
A partir desta “profissão de fé” certamente cristã, fixar-se na primeira frase, encerra o pilar central da origem da vida vegetal, animal e humana.
Em Gênesis (primeiro Livro da Bíblia), do capítulo um, até o capítulo dois, encontra-se a completa descrição desta magnitude criadora do Universo. Não há como desconsiderar a Divindade de um Criador, para entender-se a origem da Vida em todas as suas dimensões e substâncias.
Destaca-se o capítulo um, verso 27: (Gn 1,26-30)
Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e segundo nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todos os animais selvagens e todos os répteis que se arrastam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea ele os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei e subjugai a terra! Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre tudo que vive e se move sobre a terra”. Deus disse: “Eis que vos dou toda erva de semente, que existe sobre toda a face da terra, e toda árvore que produz fruto com semente, para vos servirem de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os seres vivos que rastejam sobre a terra, eu lhes dou todos os vegetais para alimento”. E assim se fez.
No cap. 2, vs.24, (Gn 2,24) entende-se a continuidade da vida, pela união do masculino com o feminino:
Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e se tornarão uma só carne.
A partir destas duas fontes, destas duas “origens”, estruturam-se, mesmo que para alguns de forma “metafórica”, a concepção primária do homem (“adamah”), a partir do pó (Gn 2,7).
Assim, em seguimento a esta concepção, como que em um “desdobramento”, Deus criou a mulher (“evah”).
Fato é que a ambos Deus os criou de um mínimo pó e soprou-lhes a Vida, (Ruah) (confira em Gn 2,7).
Da união homem-mulher, a partir de minúsculas células, surge a nova criatura e esta recebe o “sopro da vida”, a vida por excelência, por obra divina com o sopro do Espírito Santo.
Nasce um novo “ser”.
Quem sou eu? Diante destas colocações pode-se organizar uma primeira estrutura, ou primeira resposta:
O ser humano é em sua origem, fruto da concepção de um homem com uma mulher, e recebe de Deus o “sopro da vida” através do Espírito Santo. (Gn 2,7) Este mesmo Deus é Senhor da Vida e da morte (1 Sm 2,6). “Sou portanto criatura de Deus”.
A partir daí, este novo “ser” inicia uma caminhada de vida que está diretamente atrelada ao meio em que nasceu: família, comunidade, sociedade, país... Portanto cresce e se forma. Cria sua estrutura, conceitos de vida, cultura e conhecimentos, desenvolvendo uma personalidade única e completa.
Neste sentido encontra-se em Provérbios 22, 1 e seguintes, sábias palavras de Salomão, entre muitas que proferiu, para esta “formação de identidade”; contudo destaca-se o verso 6. (Pv 22,6):
“Ensina a criança o caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele”.
Esta preocupação, de importância ímpar, é reforçada por Pitágoras (570 a.C.) quando diz:
“Eduquem-se os meninos e não será preciso castigar os homens”.
Esta educação, enquanto cristã, está baseada na Sagrada Escritura, como se constata em 2Tm 3, 16:
“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na Justiça”.
Portanto, busca-se os parâmetros referenciais para educação e diretrizes da vida, na Bíblia, seus preciosos ensinamentos e nos Dez Mandamentos, (Ex 20).
Estrutura-se e enriquece-se a Alma. Portanto, forma-se a identidade do “ser”, e este “ser” estará sempre se alimentado de espiritualidade e fundamentos que sustentam a sua fé, como sabiamente diz Sto Agostinho:
“A alma se alimenta daquilo que a alegra”.
Quem sou eu? A partir deste enfoque, o cristão haverá de reconhecer que sua identidade é sustentada na fé corroborada nos ensinamentos divinos e doutrinários (preferencialmente com clareza e sem fundamentalismo), e assim confessará tranqüilamente: “Sou cristão temente a Deus e a Ele fiel”.
Estrutura-se então sua “origem”, sua “formação” e, portanto “sua personalidade cristã”.
Como se isto não bastasse, a pessoa para solidificar sua existência, ou melhor dito, perseverar em sua “identidade”, carece de manter-se em constante comunhão com toda a cristandade ao seu redor, sem contudo esquivar-se do convívio social, político, cultural e econômico; enfim, sem a exclusão do convívio saudável e completo , sem o isolamento doloso.
Esta convivência social e comunitária promove ao cristão toda liberdade consciente.
Confira em 1 Co 10,14 a 28, especialmente o verso 23, onde se lê:
“Todas as cousas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”.
Assim, o cristão na certeza de sua conduta, declara: “Sou cristão livre e liberto para a vida”.
A consciência do “ser cristão” se consolida na aceitação teológica não apologética e não fundamentalista, da verdade espiritual que o liga ao Eterno, ao Divino. Daí “religare” que é a raiz de “religião”.
E para o cristão, a base fundamental é Jesus, sua vida, morte e ressurreição, ou seja: a teologia da Cruz, da Páscoa e de Pentecostes. O tempo da Quaresma em plenitude.
Esta estrutura consciente remete a uma questão fundamental:
“Aonde o cristão encontra Deus, e qual a sua relação responsável com o Criador?”.
Deus é Pai misericordioso e não distante como protagonizam alguns. Deus é “onipresente” na vida daquelas pessoas que permitem a Sua majestosa presença e Dele aceitam os passos e diretrizes para suas vidas.
Diz o ditado: “o homem põe, mas Deus dispõe”. Ou ainda: (Pv 16,9) “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” Esta é uma realidade essencial na vida cristã.
Pois bem, a “morada de Deus” é exclusivamente “dentro da pessoa”.
Confira Lc 17,20-21:
Interrogado pelos fariseus, quando chegaria o reino de Deus, Jesus respondeu-lhes: “O reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer ‘está aqui’ou ‘está ali’, porque o reino de Deus está dentro de vós”.
Confira também 1 Co 3,16-17:
Não sabeis que sois templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém profanar o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós.
Esta preciosa constatação permite ao cristão temente a Deus, um permanente diálogo e uma vida serena, confiante de que é “membro do Corpo de Cristo”, disposto à partilha e comunhão, disposto ao serviço e à vida perene e sublime:
Rm 12, 1-6:
Nova vida em Cristo. Eu vos exorto, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais em vossos corpos, como hóstia viva, santa, agradável a Deus. Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com os esquemas deste mundo mas transformai-vos pela renovação do espírito, para que possais conhecer qual é a vontade de Deus, boa, agradável e perfeita.
Pela graça, que me foi dada, recomendo a todos e a cada um de não fazer de si próprio um conceito maior do que convém, mas um conceito modesto, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu. Pois assim como num só corpo temos muitos membros e cada um de nossos membros possui diferente função, assim também nós, sendo muitos, somos um só corpo em Cristo mas cada membro está a serviço dos outros membros. Destarte todos nós temos dons diferentes segundo a graça que nos foi dada, seja a profecia, segundo a proporção da fé...

Afinal...

“Quem sou eu”?
“Sou cristão, criatura de Deus, a Ele fiel e temente, portanto livre e liberto para a vida, absolutamente consciente de minha fragilidade pecaminosa, a serviço da vida sem constrangimento, para a plenitude da comunhão e partilha em comunidade, na certeza de que dentro de mim, no meu ser, habita Deus o misericordioso Pai, pela doação e pelo testemunho de Seu Filho Jesus, na força do Espírito Santo”.

(Ef 4,4-7) Sede um só corpo e um só espírito, assim como foi chamada por vossa vocação para uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça segundo o dom de Cristo.

A virtude em viver a vida que Deus nos confiou é saber administrá-la na certeza do amor divino e compartilhar este amor com todos que conosco a estão convivendo.(W.L.Berner)


Fontes:
Bíblia Sagrada / Vozes 32a. Edição;
Bíblia Sagrada / Soc. Bíblica do Brasil Edição Revista e Atualizada;
Citação de Sto Agostinho;

DIA DE DEUS...DIA DOS HOMENS

o nosso precioso tempo.
As vicissitudes do presente.
Ec 3,1 1 Tudo tem seu tempo, há um momento oportuno para cada empreendimento debaixo do céu.2 Tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de colher a planta. 3 Tempo de matar, e tempo de sarar; tempo de destruir, e tempo de construir. 4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de gemer, e tempo de dançar.
5 Tempo de atirar pedras, e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar, e tempo de se separar.
6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora.
7 Tempo de rasgar, e tempo de costurar; tempo de calar, e tempo de falar. 8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
“...vez por outra pare e pense, pense e pare” *
“existem momentos em que não sabemos o que dizer, é momento de silenciar, refletir, orar.” *
Ideologias do passado.
Ecl 6,11-12 11 Existem muitas sentenças que só aumentam a ilusão. Que proveito há para o homem? 12 Quem pode saber o que é conveniente para o homem durante sua vida, ao longo desses dias contados de sua existência fugaz, pelos quais ele passa como uma sombra? Quem dará a conhecer ao homem o que vai acontecer depois dele debaixo do sol?
A brevidade
Sl 103, 15-17 15 São como a erva os dias do homem, e ele floresce como as flores do campo: 16 apenas bafeja o vento, já não existem, e seu lugar não mais se lembra delas.
17 Mas a misericórdia do Senhor é, desde sempre e para sempre, para aqueles que o temem,
e sua justiça para os filhos de seus filhos,
“A vida é como a flor da primavera: radiante porém curta” *
A Criação
Gn 1,31 E Deus viu tudo quanto havia feito e achou que estava muito bom. Fez-se tarde e veio a manhã: o sexto dia.
Gn 2, 1-3 1 E assim foram concluídos o céu e a terra com todo seu aparato. 2 No sétimo dia Deus considerou acabada toda a obra que havia feito e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera. 3 Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque neste dia Deus descansou de toda a obra da criação. 4 Essa é a história das origens do céu e da terra, quando foram criados.
Os anseios humanos
“somente a Deus cabe decidir o termo desta vida, não devemos portanto antecipá-lo”. “a ansiedade humana abrevia os desígnios de sua vida” *. “Confiar em seu destino é não se prender ao passado, mas lançar-se na certeza da dimensão maior guiado pela mão de Deus”*
... e... a peregrinação e saudação ao templo
Sl 84,1-3
1Ao regente do coro. Com a lira de Gat. Salmo dos filhos de Coré.
2 Como são amáveis tuas moradas, Senhor Todo-poderoso! 3 Minha alma se consome de ânsia pelos átrios do Senhor , meu coração e minha carne vibram de alegria pelo Deus vivo.
Sl 84, 10-11a 10 Ó Deus, vê quem é nosso escudo: contempla a face de teu Ungido.11 Um dia em teus átrios vale mais que mil# ; prefiro ficar no umbral da casa de meu Deus.
(#nota: a ansiedade e expectativa humana ao desejo de “pensar Deus”. Cântico de Sião entoado pelos peregrinos em ação de graças pela felicidade por poder entrar no Santuário de Jerusalem e viver em intimidade espiritual com seu Deus)
Brevidade da vida humanaSl 90 1-17
1Oração de Moisés, homem de Deus. Senhor, tu foste nosso abrigo, de geração em geração.
2 Antes que nascessem os montes e fossem engendrados a terra e o mundo, desde sempre e para sempre tu és Deus. 3 Reduzes o homem ao pó, dizendo: “Retornai, filhos dos homens!”
4 A teus olhos, mil anos são como o dia de ontem, que passou, e como a vigília noturna.
5 Tu os arrebatas; são como um sonho matinal, transitórios como a erva:
6 de manhã floresce e viceja, de tarde murcha e seca. 7 Sim, nós somos consumidos por tua cólera, abalados por teu furor. 8 Puseste nossas culpas diante de ti, nossos segredos à luz de tua face.9 Assim nossos dias dissipam-se diante de tua cólera, findamos os anos como um pensamento fugaz. 10 Setenta anos é a duração de nossa vida; oitenta anos, se for vigorosa. Mas vangloriar-se disso é fadiga inútil, porque passam depressa, e nós levantamos vôo. 11 Quem chega a compreender que tua ira seja tão veemente, e tua cólera tão terrível?
12 Por isso ensina-nos a dispor de nossos dias, de modo a adquirirmos um coração sensato!
13 Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão de teus servos! 14 Sacie-nos, desde a manhã, tua misericórdia e exultaremos de alegria, todos os dias. 15 Dá-nos alegria pelos dias em que nos humilhaste, pelos anos em que provamos a desgraça! 16 Que tua obra se manifeste a teus servos, e a teus filhos o teu esplendor! 17 Desça sobre nós a bondade do Senhor nosso Deus! Consolida para nós a obra de nossas mãos, sim, consolida a obra de nossas mãos!
(grifos: Bíblia Edit. Vozes 32ª edição)
(itálicos) destaques temáticos e pensamentos pessoais

doze conselhos para ter um enfarte feliz

DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ !!!
Dr. Ernesto Artur - Cardiologista
Quando publiquei estes conselhos ?amigos-da-onça? em meu site, recebi
uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes
serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida
inconscientemente.
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e
familiares são secundárias.
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder, também aos
domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para
casa e trabalhe até tarde.
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias,
conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários,
encontros, reuniões, simpósios, etc.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila.
Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições
para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola
ou tênis. Afinal, ISSO É BESTEIRA...Tempo é dinheiro.
8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de
ferro (e ferro enferruja!!...).
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para
ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você
mesmo.Afinal, você é insubstituível!
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego está faltando,
surge aquela dor de estômago, a cabeça não anda bem. Simples, tome
logo estimulantes, energéticos e antiácidos. Eles vão te deixar
tinindo, novinho em folha.
11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e
sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
12. E, por último, o mais importante: não se permita ter momentos de
oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua
vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis. Repita sempre para si:
Eu não perco tempo com bobagens!
OS ATAQUES DE CORAÇÃO
Uma nota importante sobre os ataques cardíacos.
Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço
esquerdo/direito. Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa
no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.
Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque
cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto
dormiam não se levantaram. Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono
profundo.
Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e
engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190)
e diga ?ataque cardíaco? e que tomou 2 Aspirinas.
Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse,
pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois
segundos, até chegar o socorro.
NÃO SE DEITE !!!!
Um cardiologista disse que, se cada pessoa que receber esta mensagem e o
enviar a 10 pessoas, pode ter a certeza de que se salvará pelo menos
uma vida!

O CEGO BARTIMEU

Leitura Bíblica: Mc 10. 46-52
MARCOS no cap. 10.46-52 cita um cego e sua “sorte”. O episódio se dá quando Jesus está saindo de Jericó. Trata-se da cura de uma pessoa que segundo Marcos, conseguia enxergar no passado e ficou cego (confira no verso 51).
Podemos imaginar a situação de uma pessoa cega: Seu sofrimento, sua angústia, sua aflição na vida. Qualquer que seja a lesão ou doença que venhamos a ter, a nossa ansiedade está exatamente em encontrar o caminho para a cura de nossa enfermidade, o mais rápido possível. E sabemos como é: vamos atrás de todos os meios que nos queiram trazer a solução. Ou não é assim?
Certamente que o mendigo sabia das forças espirituais do ilustre que passava à sua frente. Ele, percebe que naquela figura estaria a recuperação de sua vista, e voltaria a enxergar. Tinha fé nisto.
O cego clama, chama insistentemente, mesmo tendo alguns opositores que reclamavam e que pediam para se calar. Ele não cala, ele não se deixa vencer pelo desânimo e pela opressão. Luta, vai em frente, clama com voz mais alta, até que por fim, o seu incessante apelo é ouvido por Jesus.
A vitória! Sim, aquele pobre homem alcança sua meta, mesmo diante de tantos obstáculos. Ele é atendido.
Sabemos pelo texto, que Jesus chama o mendigo, e pergunta: “O que queres que eu faça?”
Curiosa esta pergunta. Ela também é feita a Tiago e João, confira no verso 36 deste mesmo capítulo, mas com reações bem diferentes. O cego implora que apenas deseja “voltar a enxergar”. Não pede vantagens, benefícios por conta de sua desgraça, não “apela” segundo sua “sorte”. Apenas, crendo na força divina de Jesus, e mostrando ter fé absoluta no “Filho de Davi”, pede que lhe seja resgatada a sua visão. A reação de Jesus é precisa e definitiva, e prontamente atende ao solicitante.
Creio que este é o centro desta narrativa: A determinação, a persistência frente às barreiras, a certeza de que sua fé não o vai decepcionar. E finalmente o pedido certo na hora certa. E não por último: A gratidão pela graça conseguida. Deus está sempre presente em nossas vidas. Tenhamos certeza disto. Deus em Seu amado Filho nos atende com muita alegria.
O importante é como e o que pedir. O importante é depositar absoluta confiança no “Filho de Davi”, o Messias, o Filho de Deus.
Certa vez li a seguinte reflexão sobre a “diferença” do que se pede. Dizia o texto: “Duas pessoas estavam com uma carga muito pesada. Mal conseguiam enfrentar a caminhada e as dificuldades que lhes eram impostas. O primeiro orou a Deus: ‘Oh Deus! Tira de mim este fardo, estas dores, esta vida tão cruel... Não agüento mais’. O segundo, em sua sabedoria e humildade, apenas pediu a Deus: ‘Senhor dá-me ombros fortes e muita perseverança, para vencer a jornada a que sou submetido, e assim poderei suportar tudo segundo Suas determinações’. Peça você também a misericórdia e o amparo de Deus...”
Pois é, assim como neste exemplo, também o cego em sua humildade e determinação, pediu o que lhe era realmente necessário. Deus o atendeu...
A realidade desta vida é um espelho cruel. Disto todos têm certeza. Mas cada um de nós pode carregar seu “jugo”, seu fardo, com mais alívio, se a exemplo daquele cego pedirmos a Deus com fé, aquilo que nos é verdadeira necessidade, e a exemplo dos dois homens da comparação citada, saibamos discernir o que nos é preciso para que nossa caminhada nesta vida seja menos penosa, para atingirmos o alvo final, com a certeza da Graça de Deus.
Amém.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A ARTE É VERDADE

"A Arte é Verdade"
"Nós sabemos agora que a arte não é a verdade. A arte é uma mentira que permite que nos aproximemos da verdade, ao menos da verdade que podemos discernir. 0 artista deve surpreender a maneira de convencer o público da inteira veracidade de suas mentiras (...) A obra exprime, freqüentemente, mais do que almejava o desejo do autor: ele fica muitas vezes perplexo com os resultados que não havia previsto. 0 nascimento de uma obra é às vezes uma espécie de geração espontânea. Ora o desenho penetra o objeto, ora a cor sugere as formas que determinam o sujeito, não há arte no passado nem no futuro. A arte que não é do presente jamais será arte".(Pablo Picasso)
Sem dúvida que este pensamento de um grande Artista como Picasso merece todo respeito e admiração. Não ousaria contestar ou muito menos fazer apologia a respeito desta manifestação. Contudo, não me sinto à vontade nem plenamente contemplado em apenas apreciar estas palavras sem ao menos conferir uma reflexão análoga que, como disse, sem apologia, expresse uma posição não fundamentalista, mas à luz do entendimento da "comunicação através da Arte".
Comunicar-se através da arte é um privilégio daquele que se encoraja na prática ou na vontade de externar seus sentimentos para que seja visto, ou ouvido, ou até sentido.
Assim, na medida de um entendimento de que "a Arte é comunicação", não consigo conceber que seja "uma mentira" salvo se o referido comunicador não esteja consciente do conteúdo de sua mensagem. Convém certamente repensar esta afirmação, e dialogar mais nos meios artísticos sobre o grau de responsabilidade que cada um tem diante deste "dom da comunicação" através dos meios plásticos.
A certeza de que Picasso estava plenamente consciente do conteúdo de suas mensagens, não se questiona, basta ver Guernica (1937). Seria esta obra uma "mentira"? E o que falar (pintar / escrever...) sobre Os pobres à beira mar (1903) de sua fase azul... "Mentira"?
O seu próprio pensamento "...não há arte no passado nem no futuro. A Arte que não é do presente jamais será arte", sugere com plena energia que "Arte é a verdade pura do Criador através das mãos do artista". Caso seja contrário, então o "próprio presente é uma mentira".
Toda Arte, por mais significativa ou mais singela, (basta ver a caminhada artística de Picasso desde o academicismo (prefiro a palavra "figurativismo"), até expressões mais contemporâneas (prefiro mais a palavra "abstracionismo")), sempre comunica a verdade do artista, seus sentimentos; suas angústias e alegrias; enfim "as suas verdades". Mentira é expressar uma inverdade; arte é expressar a verdade.
Assim como os olhos, as mãos transmitem os intentos da alma. Expressam através de um simples gestual o que realmente a alma está sentindo. Expressam a dualidade da pessoa
Muitos artistas, descomprometidos com a responsabilidade da comunicação plástica, se ancoram no devaneio da irresponsabilidade comunicativa, e entregam-se ao "absoluto caos infundado". E porque? Porque exatamente imaginam "fazer arte pelo gozo, pelo prazer do consumismo e satisfação da libido, ou ainda, o que é mais preocupante: fazer arte para nada". Disse certa vez um artista (belas Artes UFRJ): "faço a arte que me satisfaça já; não faço arte para os olhos alheios, não me preocupo com as convenções e normas da comunicação plástica. Faço arte aqui e agora, sem mais delongas". Esta seria uma "mentira", no verdadeiro sentido de arte, por vez que não faz sentido nem para a própria vida deste indivíduo...
Há de se entender que a expressão de Picasso vai no sentido de que a pintura é uma "inverdade" na medida em que "o gestual do artista" não seria autêntico com os parâmetros das convenções antropológicas.
Se olharmos o quadro "Evocação – o enterro de Casagemas" de Picasso / 1901, poderíamos dizer que esta pintura é uma "mentira", por vez que "foge aos padrões humanos". Mas em arte, sim, insisto: em arte, é a mais pura expressão de uma verdade.
Lembro-me de uma estória atribuída a Picasso em sua fase azul: teria ele pintado uma figura de mulher totalmente monocromática...(bela obra). Uma Senhora que visitava a exposição reclamou com Picasso: "mas Senhor! Uma mulher azul? Onde já se viu tal absurdo?". Ao que respondeu Picasso: "respeitosa Senhora. Isto que a Senhora vê, não é uma 'mulher azul', é apenas uma 'obra de arte'...".
Onde está a inverdade? Na "obra de arte", ou na desinformação artística do/a espectador/a?
Como entender uma obra de arte (diferente de uma pintura medíocre), sem conhecer o conteúdo desta obra, sua comunicação e principalmente "a verdade do Artista" (a verdade do/a Autor/a)?
O que em síntese preocupa é relegar a tal simplismo de "inverdade" aquilo que é a "pura verdade".
É como não entender ou atribuir à "inverdade" a Obra de Rembrandt, interpretando "a volta do filho Pródigo" (1669); ou negar a veracidade (realidade) de uma obra abstrato-figurativa de Turner, o "Incêndio da Casa dos Lordes e dos Comuns, 16 de outubro de 1834/35", ou ainda "Iate se aproxima da Costa", também de Turner (1835-40)... É "inverdade" o Magnificat da Virgem Maria, e Aberturas compostas magistralmente por Mestres da Musica, como Schubert, Mozart e tantos mais...
Não, arte não é, e nunca poderá ser, nem de suposição, uma "mentira", nem mesmo aquela "mentira" que Picasso sugere ao artista "retratar para ser vista como verdade" (..."A arte é uma mentira que permite que nos aproximemos da verdade, ao menos da verdade que podemos discernir. 0 artista deve surpreender a maneira de convencer o público da inteira veracidade de suas mentiras"...).
Arte é a pura verdade, é o retrato da vida ao longo dos tempos. É a verdade plástica de revelar a verdade da própria vida.
Para refletir: Uma réplica à “razão”: Quem só vê com a razão, não enxerga o Belo com a emoção.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

COLETIVA BERNER-ARTES 2009



Esta Coletiva apresenta Obras de Arte dos Ateliês "OBELISCO" e "BERNER-ARTES"
Todas e todos são bem-vindos! Prestigiem e divulguem
Abraços e até lá

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

DICAS E SITES INTERESSANTES

Olá
Espero que com esta coluna, os endereços virtuais sugeridos sejam de proveito.
"Saudações Berner-Artes":
Neste SITE você pode editar o "nada consta" de seu Título de Eleitor:
http://www.tse.gov.br/internet/servicos_eleitor/quitacao_blank.htm
Neste SITE veja como o Artista esculpe em madeira:
http://www.mundofantastico.org/2009/10/esculturas-em-trocos-de-arvores/
BIBLIOTECA VIRTUAL (DIGITAL) MUNSIAL: http://www.wdl.org/pt/#

domingo, 18 de outubro de 2009

SELEÇÃO DE PENSAMENTOS PARA VOCÊ (de W L Berner)


1. Pensar é um ato de amor quando a mente o faz com pureza.
2. Faça a sua tarefa com amor que você obterá sucesso e a graça de Deus.
3. Somente pela luz se terá ciência das formas e cores que abraçam o corpo, mas somente pela paz do coração se verá o esplendor desta harmonia.
4. Arte é compreensão, comunhão com Deus e a Natureza.
5. Arte é o caminho mais curto e mais sublime de aproximar os homens de Deus.
6. É bom ter um bom amigo, melhor ainda é poder chamá-lo de irmão.
7. Ver o belo é enxergá-lo com os olhos da alma.
8. Foi bom conhecer você, enriqueceu a minha vida.
9. Guardar segredo é uma virtude. Encontrar quem a possui é achar o verdadeiro amigo.
10. a distância não é motivo de solidão, quando o amor reina no coração.
11. Em nossas vidas passam pérolas, as pérolas do colar da vida. Algumas porém são especiais, merecem destaque maior, merecem ser compartilhadas.
12. É bom não encontrar a perfeição, anima-nos a buscá-la.
13. Existem momentos em que não sabemos o que dizer. É momento de silenciar, refletir, orar. (1997)
14. Poucas palavras produzem grandes efeitos, mas um pequeno gesto, como o carinho de uma flor, fomenta a paz com grandioso amor.
15. Saber que somos lembrados mesmo quando reina o silêncio, é ter certeza de que somos queridos assim como somos. É quando amamos em silêncio a quem queremos bem.
16. Somente Deus cria. O homem recebeu a graça da criatividade.
17. ...Vez por outra pare e pense. pense e pare.
18. Podemos ser apenas uma gotinha na imensidão do oceano, mas sem a soma destas gotinhas não haveria navegação.


19. Confiar em seu destino é não se prender ao passado, mas lançar-se na certeza da dimensão maior guiado pela mão de Deus.
20. Um dia um Anjo me disse assim: “algumas pessoas são como cometas, reluzentes mas passam... outras são como estrelas no firmamento: pequeninas mas brilham sempre”. Seja sempre uma estrela entre nós. (Releitura e adaptação de uma mensagem da Internet, que fiz para a menina Carlinha , 15 anos, quando a visitei no Inst. do Câncer de S. Paulo julh.2001)
21. Onde basta apenas sentir, não se precisa falar.
22. buscar seu caminho, viver sua vida, é compartilhá-la com quem precisa de seu amor, ou quem você ama, incondicionalmente, mesmo que não haja reciprocidade.
23. É mais importante ‘ser’ como efetivamente somos, do que ‘ter’ e não ‘ser’ autêntico.
24. Encontre a sua paz lá onde estiver o seu Deus.
25. Nascem medos em nome do ter. Nascem certezas em nome do ser
26. O bom abraço é um refrigério da alma e estímulo que revigora
27. Três bons abraços: da fé, que deposita confiança; da esperança, a certeza de ser querido; e do amor, o maior deles.
28. Respeitar a natureza e amá-la é antes de tudo ser uno com ela, e respeitar as leis de Deus.
29. *A virtude em viver a vida que Deus nos confiou é saber administrá-la na certeza do amor divino e compartilhar este amor com todos que conosco a estão convivendo
30. A ‘BELEZA’ está na história de cada pessoa, registrada na face e no olhar.
31. Lançar a semente é missão confiada ao ser humano. Germinar, ‘dar o sopro da vida’, é uma decisão Divina.
32. Nem só de "próximos" dependemos, mas para o "próximo" vivemos
33. o silêncio afetuoso vale mais que mil palavras
34. realmente a alma está sentindo. Expressam a dualidade da pessoa
Assim como os olhos, as mãos transmitem os intentos da alma. Expressam através de um simples gestual o que
35. A Amizade perene é produto do amor sincero.
36. O ideal carece do entendimento que os meios são tão importantes quanto a meta a atingir.
37. A Palavra é essencialmente uma experiência de vida que nos é trazida como um espelho, no qual nos vemos sempre “virtualmente”, para que entendamos o nosso verdadeiro “ser” em verdade.
38. A vida humana contabiliza minutos irreversíveis... Viva-os com qualidade.
39. Paixão é o esteio da emoção.

Entropia

A ENTROPIA

“Senhor , dá-me a conhecer meu fim e qual a medida de meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade! Destes aos meus dias a largura de palmos, e a duração de minha vida é quase nada diante de Ti. O homem, seja quem for, é apenas um sopro.” (Sl 39, 4-5)
Somente a Deus cabe decidir o termo desta vida. não devemos, portanto antecipá-lo.
Estamos sempre a especular o fim de nossas vidas. Uma verdadeira luta sem trégua, que conduz a humanidade ao consumismo descontrolado, na ânsia de não perder nenhuma das oportunidades em sua vida, esquecendo-se até de viver com dignidade humana dispondo do essencial à sobrevivência e ao compartilhamento cristão com quem menos possui.

Uma verdadeira guerra contra o tempo, que só encurta a vida; aproxima da morte.
Elixir da vida; água da fonte da juventude; clonagem; regimes alimentares; cirurgias plásticas; enfim, um arsenal de guerra para não “morrer”.
A Entropia é a ciência da Física que estuda a total desintegração da matéria. Em suma: o fim.
Não passa de um verdadeiro alerta para diminuir a busca insana do elixir da vida eterna. Afirmo constantemente “armas geram crimes, instrumentos levam à paz”. Creio que também nesta reflexão esta frase se encaixa, visto que todos os meios que se busca, são verdadeiras armas contra a morte. Bastariam no entanto, instrumentos como a Palavra de Deus revela: “a fé; a esperança e o amor (destes três o maior é o Amor = 1 Co 13,13)” Estes três “instrumentos” levam cada qual à esperança da Vida Eterna. Da vida em Cristo; da vida em fé plena, através do amor fraterno.
“A fé é o fundamento do que se espera e a convicção das realidades que não se vêem. Foi a fé que fez a glória dos antigos. Pela fé sabemos que o universo foi criado pela Palavra de Deus, de sorte que do invisível teve origem o visível”. (Hb 11,1)
Em outras palavras, pode-se afirmar que “o mistério da fé é exatamente reconhecer o invisível através do visível, que são: o amor, a caridade, a comunhão fraterna”, que em síntese é o único “elixir da vida eterna”. E é exatamente nesta vida atual, onde estes “instrumentos” podem e devem ser aplicados. Na Igreja está “a fonte desta água da vida”, a Palavra Viva; independente da denominação cristã, pois a Igreja que Cristo quer é Una e Santa.
“A religião de vida é ter fé no viver e crer no Eterno.”
Utopia? Creio que não. Mesmo nesta vida de atrocidades; forças do poder dominante; uma verdadeira “guerra pela entropia”, revelo também nas cores deste quadro, a “Entropia da Cor”, que junto ao “amarelo pálido” da traição; o “vermelho turvo” da morte; “o negro” da incerteza e incógnita; emanam várias luzes do verde oliva e radiante, o “verde da esperança”; o “amarelo luz” ao encontrar-se junto destes verdes... Isto é:
“Mesmo na entropia da vida, há esperança na Páscoa, e no Pentecostes.
Há esperança, que se solidifica pela fé e se faz pelo amor”.
W.L.Berner / "a Entropia da Cor" 99 /outubro 2001

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ver o belo é enxergá lo com os olhos da alma


Ver o Belo é enxergá-lo com os olhos da alma.
A beleza de tudo, e de todos, vias de regra, se define por sua imagem visível, “palpável”, sem que se tenha consciência de que é preciso também enxergar, além do ver. Tanto uma obra sólida, como um trabalho escrito, encerra em si uma mensagem que nos alcança na medida de nossa predisposição à receptividade. Em outras palavras, é dizer: “para entender a arte é preciso conhecer o que está por trás da tela”, ou ainda como se diz: “não importa o que falo, mas o que cada um ouve”.
Assim é também ao contemplar-se esta escultura abstrata (abstrata?) Seus movimentos entrelaçados, sua textura polida e suave, suas formas vazadas mostrando seu interior. O acabamento refinado externo e interno. Seus movimentos místicos que permitem descobrir formas sugestivas, lapidadas, nascidas de uma pedra bruta.

Aprendi entender o conteúdo do abstrato na medida em que entendi a plenitude do conteúdo da alma.
O ser humano é como esta “pedra bruta”. Pode estar polida externamente e bruta em seu interior. E inversamente é do mesmo jeito: Bruto externamente e “refinada” no seu sentimento, sua alma. Assim é a pessoa que convive conosco neste mundo, que está ao nosso lado no dia-a-dia de nossas vidas. Basta “enxergar a pessoa” que se consegue penetrar no seu interior, e “palpar sua alma, seu ser”. Como? Palpar sua alma? Sim, num aproximar-se, no simplesmente ouvir, no afago, carinho, no tocar e abraçar, no demonstrar (incondicionalmente) o seu amor, sua compreensão, seu afeto.
A pessoa que anseia por esta aproximação carece de nosso ser “humano”.
Mas tão importante como enxergar o nosso irmão, amigo, ou estrangeiro, é sem dúvida “enxergar-se a si próprio”. E buscar o entendimento de si, do seu ser, é encontrar Deus dentro de você, para que conscientemente se possa encontrar o Belo em sua própria pessoa e naquelas pessoas com quem compartilhamos o espaço nesta vida. (Ef 4,22-27) “devereis abandonar vossa antiga conduta e vos despojar do homem velho, corrompido por concupiscências enganosas, para uma transformação espiritual de vossa mentalidade, e revestir-vos do homem novo, criado segundo Deus em justiça e verdadeira santidade”. Isto mesmo, despojar-se do velho Adão e revestir-se de nova criatura, a criatura de Deus. O Deus do Amor. Aí nossos olhos e corações, estarão abertos para nos enxergarmos juntamente com nossos próximos, para encontrar Deus.
W.L.Berner / Movimentos / Pedra Sabão 1996

ACADEMIA PETROPOLITANA DE LETRAS


Nesta sexta 16/10/2009 passei a ocupar a Cadeira nro.13 Patrono José de Alencar, e nesta oportunidade apresentei o seguinte relato:
JOSÉ DE ALENCAR Escritor: 1829 - 1877
ACADEMIA PETROPOLITANA DE LETRAS
(Walter Leonardo Berner , outubro 2009)
Ilustríssimo Senhor Presidente desta Academia, Prof. Joaquim Eloy dos Santos; mui dignas autoridades,Dr. Fernando da Costa; estimados confrades acadêmicos; minha querida esposa, querida família; amigas e amigos.

A surpresa foi por deveras comovente, quando soube que fui eleito para dar seguimento às atribuições da Cadeira de nro 13, de tão nobre Patrono, o Escritor Dr. José de Alencar. Este cearense, da cidade de Mecejana, que ao primeiro dia de maio de 1829 veio para esta vida que somente Deus concede.
Isto mesmo. Nasceu então aquele que um dia viria a ser o grande e ilustre homem das letras. Mas foi nordestino só por nascença, porquanto sua família se transfere para o Rio de Janeiro no ano seguinte ao seu nascimento, por conta das funções de Senador ocupadas por seu pai José de Alencar. E é nesta cidade maravilhosa que o jovem José faz carreira na Faculdade de Direito, pelos anos de 1846.

No primeiro ano universitário o eminente escritor, esboça seu primeiro romance “Os contrabandistas”.
Foram vários os artigos e folhetins que assinou, como “Ao correr da Pena”; “Cinco minutos” e outros tantos. Sua primeira paixão é Chiquinha Nogueira, no ano de 1854. E como se diz: “Paixão é o esteio da emoção” (grifo meu), este ilustre escritor, advogado e pensador humano, brasileiro inquieto, se consagra como romancista a partir de “A Viuvinha”. E não para mais. Em 1857 escreve o belo trabalho “O Guarani” e lança-se como autor teatral com “Verso e Reverso”; o drama “Mãe” e outros mais. A caminhada é intensa, e surge o romance “Lucíola”.
Em 1864 o seu coração é conquistado por Georgina Cochrane que vem a ser sua esposa, com quem teve filhos.
Incansável, e certamente envolvido com toda a situação política de época, José de Alencar, agora já nacionalmente reconhecido, e internacionalmente projetado, especialmente em Portugal, escreve, escreve e escreve... Ah! Sim, a bela “Iracema” que vem a ser junto com “O Guarani”, a representação do nosso verdadeiro Brasil. O Belo na beleza do verde e do amarelo.
Tanto é que o Compositor Carlos Gomes compõe a Ópera “O Guarani”, uma das grandes pérolas da Arte Clássica Brasileira.
E Machado de Assis, escreve no Diário do Rio de Janeiro, aludindo-se a “Iracema”:
"Tal é o livro do Sr. José de Alencar, fruto do estudo e da meditação, escrito com sentimento e consciência… Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro… Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima”.
Certamente que o tempo o confirmou.
Obras-primas foram compostas através de releituras, estudos e grandes obras de arte.
Para nós Artistas Plásticos, eruditos e clássicos, sem apologia, e sem desrespeito aos colegas de vanguarda, um trecho de “Iracema” é por demais descritivo para uma tela bem colorida e bem elaborada.
Diz este verso:
“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira./ O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado./ Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. / O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas”.
O belo poema que descreve o inusitado encontro “luso-brasileiro” não pára aí. É por demais completo e de uma descrição tão detalhada e perfeita, que é ousadia incontrolável do mais experiente Artista Plástico, tentar com suas fartas pinceladas registrá-lo sobre uma tela branca. Não, não creio que seja de todo impossível, isto porque nas artes ( refiro-me a todas elas ) prevalecem os sentimentos puros da alma, portanto são imensuráveis os seus recursos de comunicação. Mas certamente o Poeta José de Alencar, soube com imensa propriedade e luminosidade, ser este grande Artista das palavras e descrever através delas, bem ordenadas, todo seu sensível e inquieto sentimento com o que até hoje, felizmente, podemos nos deleitar.
A saúde o traiu... No ano de 1876, vende todos os seus bens e vai a Europa com sua família, a tentar se restabelecer da gravidade que o acometia. Visita ainda Inglaterra, França e Portugal, e retorna antecipadamente ao Brasil, ainda mais debilitado, quando se despede deste mundo a 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro.
Somos todos órfãos e herdeiros saudosos deste ilustre Patrono, que se não do mundo, é para o Brasil a fonte inspiradora e alicerce da Literatura Brasileira.
DR JOÃO FRANCISCO
Pois então, esta Casa, a ACADEMIA PETROPOLITANA DE LETRAS, desde sua fundação, a 3 de agosto de 1922, acolhe em seus acentos, em seus braços, um grande número de personalidades ilustres, desde seus Patronos até os Acadêmicos de cada Cadeira.
Sim, são vidas consagradas e vocacionadas por Deus que deixam em suas caminhadas neste mundo, para todos nós, suas bagagens culturais e sapienciais de valor imensurável.
Não me é lícito e muito menos conveniente no momento, citar todos os nomes que integram o quadro Acadêmico desta Casa, seus quarenta patronos e sucessivos Acadêmicos.
Mas como o mais recente representante da Cadeira 13, Patrono (patronímico) José de Alencar, não poderia deixar de enfocar, com toda humildade e reverência, o meu antecessor, o Desembargador Prof. Dr. João Francisco. E se no mais profundo respeito o faço, deixo registrado de público, minha perene admiração por esta pessoa que marcou história neste vasto e querido Brasil, em especial aqui em solo petropolitano. Assim é com este brasileiro, que em nossas vidas, especialmente nas áreas jurídicas, nos faz herdeiros de seus preciosos conhecimentos, como exemplar pai de família, amigo, cidadão brasileiro, professor, Jurista e escritor. E sempre acolhedor. Compôs o quadro de várias Academias, da OAB, do Instituto Histórico. Este ilustre Desembargador permanece em nossas lembranças, e faço uso das palavras do Dr. Fernando Costa, quando acentua: “ninguém morre enquanto permanece vivo em nossos corações”. E é exatamente esta “memória viva” que nos firma na caminhada da vida, não com ar saudosista, mas com uma bagagem bem consolidada nas vidas que, neste mundo, deixaram uma herança cultural e sapiencial inigualável.
Não me sinto suficientemente capacitado para em pouco tempo e com poucas palavras descrever uma vida tão preciosa como a do Dr. João Francisco.
Meus contatos com este cidadão não foram dos mais próximos. Lembro-me de suas presenças em exposições de Arte em que fiz parte. Lembro-me daquele “personagem ilustre” a caminhar pelas ruas petropolitanas.
Registro contudo meu apreço e admiração por este cidadão que nesta casa teve acento.
WALTER L BERNER
Sim, a vida nos traz surpresas que não sabemos quantificar, muito menos qualificar.
Mas de certa feita, num destes momentos diferentes no curso da vida, me confrontei com a costumeira pergunta: “porque isto agora justo comigo?”
De pronto, à luz de minha fé cristã, reverti esta dúvida em outra pergunta:
“Para que Deus me colocou este desafio exatamente agora em minha vida?”
Esta pergunta, tão sutil está em meu coração também hoje, diante do convite desta Academia. Vejo no gesto destes Confrades Acadêmicos, um desafio para o qual peço a Deus as devidas forças para em humildade e simplicidade, emprestar à Sociedade Petropolitana, o pouco da bagagem que esta vida me permitiu acumular.
São 65 invernos, pois nasci em junho... dos quais 35 de caminhada tecnológica e empresarial, em paralelo com 45 anos de caminhada artística, que me permitiram somar muitas amizades e muita troca de experiências, contabilizando esta dita “bagagem de vida”, que não quer ser pesada, mas bastante farta.
Fato é que sou ansioso em compartilhar tudo o que Deus me confia e coloca no coração, e constantemente me lembro das palavras de um consagrado Artista Plástico: “Não desprezo nada... Meus trapos, meus velhos e desgastados pincéis, os apontamentos e toscos desenhos... Tudo enfim os guardo, porque são as marcas das pegadas de Cristo em minha vida”.
Ambos, o Patrono José de Alencar e o Acadêmico Dr. João Francisco, certamente acumularam estas “marcas de Cristo” em suas vidas e as transformaram em preciosas letras ordenadas.
As palavras são letras que o poeta usa para exprimir seu pensamento. O artista pode usá-las e abrilhantar seu pensamento na tela. Contudo, todas as pessoas, sem exceção, criaturas divinas, podem ser apenas uma gotinha na imensidão do oceano, mas sem a soma destas gotinhas, não haveria navegação.
Assim posto, saúdo e abraço a todas e todos que aqui presentes ou distantes, me alimentam desta “sabedoria do viver”.
A vocês meus agradecimentos e carinhoso abraço.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Metas sem Fronteiras: "Guerra ou Conquista"

A meta sem fronteiras: “Guerra ou Conquista”

Uma questão que sempre se coloca em relação ao desafio que se tem pela frente, é se este é uma “guerra” a ser combatida, ou seja, lutar contra um mal desafiador.
Não há dúvida de que em certas situações, lamentavelmente, o que se tem é uma verdadeira “guerra” a ser vencida...Custe o que custar.
Mas seria realmente uma guerra vencer os obstáculos que a vida nos reserva? As inúmeras “cancelas” e “pedras no caminho” que estão à nossa frente?

Acredito que, salvo as guerras de poder (ter), os desafios da vida devem ser vistos como uma competição olímpica, onde não estamos “correndo contra os competidores”, onde a “luta” não é uma guerra para ver quem é o vencedor... Na olimpíada, ao que me consta, não há um “perdedor”. Todos atingem a faixa de chegada, uns em primeiro lugar, outros em último, mas todos chegam lá.
Quando estamos diante de um desafio maior, (como por mero exemplo, uma doença grave) é fundamental encarar esta “empreitada” como uma competição olímpica, onde se quer ser o vencedor, e jamais entendê-lo como uma “guerra”. É simples de entender: na guerra, ou se vence ou se perde... Na disputa olímpica sempre estaremos vencendo, qualquer que seja o resultado. Os obstáculos (pedras, cancelas, ladeiras...) são como os elementos na corrida de obstáculos. Difíceis, mas consegue-se saltá-los. Somos todos, em síntese vocacionados para vencer, cada qual sabedor de suas capacidades e limitações, e fazendo uso de seus dons divinos, de sua criatividade e força de vontade, para “chegar lá”. Disse o Ap. Paulo aos Filipenses (Fp 3,14) “corro para a meta, para a coroa da vocação nas alturas de Deus em Cristo Jesus”. É bem assim: correr com Jesus para a meta, para o alvo. O importante não é “correr atrás de Jesus, atrás de uma meta”, porque quem corre atrás de alguém ou de algo, já é perdedor... (quem corre “atrás de Cristo é o mal...”). Vamos correr junto com Jesus, com todos os competidores, para que consigamos todos atingir a “faixa de chegada”. “Quem compete, concorre, quem briga, destrói”.
“Wer nicht anfängt hat bereit verloren = quem não começa já é perdedor”. Assim o digo porque em todo desafio, em tudo que temos na vida para enfrentar, cabe a cada um encarar, começar a competição, e não “armar-se contra tal guerra”. Assim as expectativas são mais promissoras (em qualquer situação), mormente sabedores de que os males da vida, os ditos obstáculos, são conseqüências da ação do homem, e não é vontade de Deus. Pode crer.
“A desgraça não é vontade de Deus, mas fruto da ação (imprudência) humana”, mas nem tudo, se quisermos, é “desgraça”. Podemos, e devemos entender como desafios transponíveis, com a Graça e ajuda de Deus que quer unicamente o nosso bem. Daí concluir que vamos entender os desafios como uma competição olímpica, uma busca da conquista, e não uma guerra que derrota, pois esta é a desgraça do homem pessimista. A conquista é desejo otimista e bênção de Deus.
E é bom não esquecer que todos são queridos no meio desta comunidade cristã que nos cerca, que são “nossa verdadeira torcida”, que oram por quem compete e lamenta por quem “guerreia”.
• Um dia um Anjo me disse assim: “algumas pessoas são como cometas, reluzentes mas passam... outras são como estrelas no firmamento: pequeninas mas brilham sempre”. Seja sempre uma estrela entre nós. (Releitura e adaptação de uma mensagem da Internet, que faço para a minha querida Carlinha , 15 anos, e para todas o todos jovens “atletas da vida”, que competem e vencem sempre).
Sim, seja uma estrela que conquista seu espaço neste firmamento da vida. Vença a olimpíada, seja como a Carlinha, minha querida amiga, que não se deixa vencer pelo desafio que tem pela frente. Ela, junto com tantas outras, não é “guerreira”, mas Atleta em Cristo, que sabe qual e onde está sua meta, sua “faixa de chegada” vitoriosa. Que compete ciente da Graça de Deus. Outra vez, o Ap. Paulo fala aos Timóteos (2Tm 2,5) “Nenhum atleta será coroado se não tiver competido segundo as regras. É preciso que o lavrador trabalhe antes com afinco se quiser boa colheita. Entende bem o que pretendo dizer, pois o Senhor te dará compreensão em tudo”.
Sim confiar em Deus. Competir, vencer, crer, orar...

A Imagem de Jesus


A IMAGEM DE JESUS.
Muitas são as ansiosas considerações e interpretações que o ser humano ao longo de toda a história, fez e continua fazendo, a respeito deste “personagem bíblico”, de tamanha importância para o “mundo religioso”, especialmente o “mundo cristão”.
É preciso que se tenha contudo em mente, algumas questões muito importantes a respeito destas sistemáticas afirmações, por vezes radicais, e até com uma dose de fundamentalismo ou apologia.
Em primeiro lugar é de se ter e mente o quanto o povo judeu de então (e hoje ainda) seguia rigorosamente o Pentateuco, onde está claramente escrito (Ex.20,4; Dt.5,8) que não se faça imagem a semelhança de qualquer ser em cima e debaixo da terra, sob pena de suas consequências. Com esta lei sendo levada a rigor por aquele povo, desde o Antigo Testamento e posteriormente durante a vida de Jesus, um judeu jamais “retrataria” uma pessoa (nem qualquer outra imagem), e assim sendo, acrescido dos conceitos artísticos de época, certamente não se teria um registro de figura humana.
Observe-se no entanto que sómente os documentos “tardios” dão alguma pista sobre a pessoa de Jesus, já que em momento algum há uma descrição precisa daquela pessoa.
Consideremos o “cidadão judeu” de dois mil anos atrás: estatura média 1,60 m; (bem) moreno; cabelos longos, roupas cinzas ou beges (nunca bracas por questões religiosas e climáticas); olhos grandes escuros; nariz alongado. As roupa coloridas eram privilégio dos Imperadores e dos romanos (talvez os artistas O vestiram assim com mantos azuis e vermelhos, para ressaltar “o Rei dos Judeus” = “INRI”, e Sua “Santidade”). Isto não nos garante a semelhança “divina” citada em Gn 1,26, que em alguns estudos teológicos, sua significação está na esfera do espiritual e não do físico.
Uma “pista” (se isto é tão importante) vamos encontrar na passagem bíblica de Zaqueu o publicano (Lc 19,1-5). Aí podemos deduzir que Jesus não era “mais alto” que o povo que o cercava, pois se assim o fosse, talvez Zaqueu não precisasse subir numa árvore para vê-lo... Sua simplicidade também fica patente, quando de várias descrições no Novo Testamento, e ao ser confundido em meio ao povo.
Ao longo de toda a história da humanidade, (“nós”) os Artistas interpretaram “à sua moda e valia”, os textos bíblicos, acrescentando uma boa criatividade e imaginação (muito válido dentro de suas limitações). Daí, com muita “base apócrifa” e fantasia, foram surgindo imagens deste personagem tão importante. Certamente que Jesus foi um profeta iluminado, e irradiava isto em seu semblante. Certamente foi um judeu simples, carpinteiro, que andou pelos quatro cantos daquela região bíblica, mas que para os seus conterrâneos era “inexplicável e misterioso”. Sómente após o Apóstolo Paulo, que viveu após a “história de Jesus”, é que seus ensinos, mistérios e ministério foram, “claramente interpretados”. Mas isto já é na esfera teológica que aqui não é o caso...
Retratar a imagem de Jesus, e também como alguns artistas fizeram em Capelas, pintando “Deus” em forma corpórea humana, é certamente “apócrifo” para não qualificar mais sériamente. Principalmente as obras que retratam estes personagens bíblicos “ocidentalizados” (olhos azuis, cabelos loiros, roupas nobres e coloridas...) certamente não conferem com o fato real e são apócrifos. Lamentavelmente vamos encontrar também interpretações artísticas profanando e vulgarizando estes “personagens tão sacros”. E isto é dramático, triste e grave...
Uma “imagem” tardia, atribuida “como sendo a de mais perfeita similariedade” de Jesus, é o “Pantocrator” em propriedade da Igreja Ortodoxa, em cujos “traços artístico” podemos “ler” as informações bílbicas que revelam as mensagens messiânicas e proféticas que Êle legou à humanidade.
Com todo respeito a todos e todas artistas, é de se considerar as bases bíblicas antes de conjecturar ou formular uma interpretação “apócrifa” ou profana, até em respeito ao direito de credo e de fé de cada pessoa.

São belas as obras que interpretam os legados bíblicos, basta lembrarmos de grandes mestres. É bom ter em mente que “a pintura faz para quem não sabe ler, aquilo que as letras fazem para os letrados” (Papa Gregório Magno, sec.VI). A chamada “Bíblia páupebra”, a Bíblia inerpretada e pintada por muitos (não poucos) artistas, é de suma importância incondicional. Mas igualmente importante é sabermos (nós artistas) que somos protagonistas de uma “verdade através da linguagem Visual”, e que carecemos respeitar todos os credos, dogmas, pessoas e acima de tudo, respeitar tudo aquilo que é Divino.
“A arte é o caminho mais curto e sublime de aproximar o ser humano
a seu Criador, a Deus”, portanto não nos é conveniente criar imagens de veneração nem tão pouco “objetos de escárnio ou escandalizadores”. Sejamos “protagonistas da verdade e do simplesmente belo”.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Arte sem fronteiras e sem limites


A ARTE SEM FRONTEIRAS, SEM LIMITES
TAMBEM PARA QUEM TEM SUAS FRONTEIRAS E SEUS LIMITES

SALOMÃO DIZ: (Pv. 22,6) “ENSINA UMA CRIANÇA NO CAMINHO EM QUE DEVE ANDAR, E AINDA QUANDO FOR VELHO NÃO SE DESVIARÁ DELE”
A imensidão da arte e seus recursos levam qualquer pessoa, sim, qualquer um, a experimentar os verdadeiros sentimentos desta magnífica forma de expressão, esta "Graça Divina", usando os materiais mais simples e mais criativos que se possa imaginar. Afirmar isto não quer significar "simplismo", nem é renegar ao absurdo a prática de manipular materiais...
Com este pensamento, e certo de que a sinceridade artística transcende ao nosso controle racional, e, portanto revelam a verdadeira expressão pura da alma, pode-se animar pessoas em todos os níveis de idade, e as pessoas com dificuldades, ou com bloqueios, a provarem para si próprios o quanto são capazes de realizar, e confirmar que arte não é apenas uma questão de "dom", mas antes sim, persistência e determinação. Oferecendo a estas pessoas a motivação, uma dinâmica terapêutica, e conhecimentos práticos de arte, consegue-se que elas se expressem e acreditem em seu potencial criativo, e em sí próprio.
Aproximar-se também dos portadores de deficiências, os jovens com síndrome de Down, e com grupos deficientes mentais, através de oficinas de arte, nas quais a linguagem de comunicação é adequada aos participantes conforme de suas capacidades ( e não de suas limitações) gratifica muito ao se constatar que com amor, credibilidade, e carinho, também eles são capazes de retribuir na mesma intensidade tudo aquilo que ganharam e assimilaram. Com certeza.
Diz-nos a mensagem de Johnson Gnanabaranam: "As mãos que não ajudam nem tocam o necessitado, são incapazes de saudar a Deus".
Na certeza de que podemos ser apenas uma gotinha na imensidão do oceano, mas sem a soma destas gotinhas não haveria navegação, somos motivados a caminhar nesta tarefa, com prazer, com alegria e muita fé. Fé no Deus da Vida.
Estas pessoas sabem, podem e querem ocupar seu espaço em nosso meio. Dependem apenas de nosso amor e aceitação