
A IMAGEM DE JESUS.
Muitas são as ansiosas considerações e interpretações que o ser humano ao longo de toda a história, fez e continua fazendo, a respeito deste “personagem bíblico”, de tamanha importância para o “mundo religioso”, especialmente o “mundo cristão”.
É preciso que se tenha contudo em mente, algumas questões muito importantes a respeito destas sistemáticas afirmações, por vezes radicais, e até com uma dose de fundamentalismo ou apologia.
Em primeiro lugar é de se ter e mente o quanto o povo judeu de então (e hoje ainda) seguia rigorosamente o Pentateuco, onde está claramente escrito (Ex.20,4; Dt.5,8) que não se faça imagem a semelhança de qualquer ser em cima e debaixo da terra, sob pena de suas consequências. Com esta lei sendo levada a rigor por aquele povo, desde o Antigo Testamento e posteriormente durante a vida de Jesus, um judeu jamais “retrataria” uma pessoa (nem qualquer outra imagem), e assim sendo, acrescido dos conceitos artísticos de época, certamente não se teria um registro de figura humana.
Observe-se no entanto que sómente os documentos “tardios” dão alguma pista sobre a pessoa de Jesus, já que em momento algum há uma descrição precisa daquela pessoa.
Consideremos o “cidadão judeu” de dois mil anos atrás: estatura média 1,60 m; (bem) moreno; cabelos longos, roupas cinzas ou beges (nunca bracas por questões religiosas e climáticas); olhos grandes escuros; nariz alongado. As roupa coloridas eram privilégio dos Imperadores e dos romanos (talvez os artistas O vestiram assim com mantos azuis e vermelhos, para ressaltar “o Rei dos Judeus” = “INRI”, e Sua “Santidade”). Isto não nos garante a semelhança “divina” citada em Gn 1,26, que em alguns estudos teológicos, sua significação está na esfera do espiritual e não do físico.
Uma “pista” (se isto é tão importante) vamos encontrar na passagem bíblica de Zaqueu o publicano (Lc 19,1-5). Aí podemos deduzir que Jesus não era “mais alto” que o povo que o cercava, pois se assim o fosse, talvez Zaqueu não precisasse subir numa árvore para vê-lo... Sua simplicidade também fica patente, quando de várias descrições no Novo Testamento, e ao ser confundido em meio ao povo.
Ao longo de toda a história da humanidade, (“nós”) os Artistas interpretaram “à sua moda e valia”, os textos bíblicos, acrescentando uma boa criatividade e imaginação (muito válido dentro de suas limitações). Daí, com muita “base apócrifa” e fantasia, foram surgindo imagens deste personagem tão importante. Certamente que Jesus foi um profeta iluminado, e irradiava isto em seu semblante. Certamente foi um judeu simples, carpinteiro, que andou pelos quatro cantos daquela região bíblica, mas que para os seus conterrâneos era “inexplicável e misterioso”. Sómente após o Apóstolo Paulo, que viveu após a “história de Jesus”, é que seus ensinos, mistérios e ministério foram, “claramente interpretados”. Mas isto já é na esfera teológica que aqui não é o caso...
Retratar a imagem de Jesus, e também como alguns artistas fizeram em Capelas, pintando “Deus” em forma corpórea humana, é certamente “apócrifo” para não qualificar mais sériamente. Principalmente as obras que retratam estes personagens bíblicos “ocidentalizados” (olhos azuis, cabelos loiros, roupas nobres e coloridas...) certamente não conferem com o fato real e são apócrifos. Lamentavelmente vamos encontrar também interpretações artísticas profanando e vulgarizando estes “personagens tão sacros”. E isto é dramático, triste e grave...
Uma “imagem” tardia, atribuida “como sendo a de mais perfeita similariedade” de Jesus, é o “Pantocrator” em propriedade da Igreja Ortodoxa, em cujos “traços artístico” podemos “ler” as informações bílbicas que revelam as mensagens messiânicas e proféticas que Êle legou à humanidade.
Com todo respeito a todos e todas artistas, é de se considerar as bases bíblicas antes de conjecturar ou formular uma interpretação “apócrifa” ou profana, até em respeito ao direito de credo e de fé de cada pessoa.
São belas as obras que interpretam os legados bíblicos, basta lembrarmos de grandes mestres. É bom ter em mente que “a pintura faz para quem não sabe ler, aquilo que as letras fazem para os letrados” (Papa Gregório Magno, sec.VI). A chamada “Bíblia páupebra”, a Bíblia inerpretada e pintada por muitos (não poucos) artistas, é de suma importância incondicional. Mas igualmente importante é sabermos (nós artistas) que somos protagonistas de uma “verdade através da linguagem Visual”, e que carecemos respeitar todos os credos, dogmas, pessoas e acima de tudo, respeitar tudo aquilo que é Divino.
“A arte é o caminho mais curto e sublime de aproximar o ser humano
a seu Criador, a Deus”, portanto não nos é conveniente criar imagens de veneração nem tão pouco “objetos de escárnio ou escandalizadores”. Sejamos “protagonistas da verdade e do simplesmente belo”.
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