Era um domingo primaveril com algumas nuvens
pesadas no horizonte, mas sem expectativa de chuvas... O sol, mesmo que
modesto, por entre as nuvens, iluminava toda aquela paisagem urbana típica de
um centro de Cidade (Petrópolis). Dois amigos passeavam e a tudo contemplavam.
Cada qual com suas “energias criativas”. Um, o poeta; o outro, o artista. Ambos
no entanto tinham em comum o prazer em externar seus pensamentos da melhor
forma possível.
Com a cautela, própria de suas maneiras de ser,
organizavam pensamentos com ares de filosofia: O silêncio, vez por outra, tomava conta do
momento num verdadeiro êxtase da reflexão e da fertilidade criativa. Aquela agradável tarde ia se desenrolando ao compasso
das horas, que neste contexto cruelmente consumia os minutos ininterruptos.Começaram a observar que uma pintura e um poema
tinham, em síntese, o mesmo objetivo: Comunicar o belo a quem os contempla.
E
concluíram: SEJA UMA TELA A
ESPERA DAS TINTAS, UM PAPEL QUE AGUARDA AS LETRAS, UM CADERNO SOBRE O QUAL SE
ORGANIZARÃO AS PALAVRAS, OU MESMO A “CÂMARA DIGITAL” DE OLHO NA MELHOR CENA,
TUDO PARTE DE UM VAZIO QUE SE COMPLETA OU É PREENCHIDO PELA INSPIRAÇÃO DE SEU
AUTOR, DE SUA AUTORA, PARA NO FINAL TER A OBRA COMPLETA.O Artista logo
completou: "O
TOM DESTA OBRA TÃO BELA É AGORA REPRESENTADO SEJA EM TERRA, ÓLEO OU AQUARELA. É
O HOMEM EM HARMONIA COM ELA. OBSERVA, E PÕE SUA IMPRESSÃO NA TELA. DE CERTO
ESTA RESPEITÁVEL SENHORA SENTE-SE AGORA DELICADA DONZELA". (Poema de Alexandre
Berner) O Poeta a seu turno, lembrou palavras de uma
colega, que nos presenteia: com a “CRIAÇÃO” que é o mergulho na essência de
toda arte: “CRIADOR
E CRIAÇÃO FUNDEM-SE EM CORES E CREDOS INTERPENETRANDO-SE EM UMA LITURGIA
ATÍPICA, TRAJETÓRIA SEM BARREIRAS EM UM
RITUAL DE LIBERTAÇÃO E RENASCIMENTO. FOMENTAM A FORMA...REFORMAM,
REFAZEM, RECRIAM ROMPENDO EQUINÓCIOS.TRABALHO E ÓCIO EQUILIBRAM-SE
NA CORDA BAMBA DAS HORAS VAZIAS EM UMA PERFEITA ALEGORIA DE SONS E GESTOS
TRAÇOS E TONS PALAVRAS E PENSAMENTOS.MOVIMENTO
TEXTO E IMAGEM REPRODUZINDO O REAL E O VIRTUAL...NA IMENSA
TELA DA IMAGINAÇÃO.”
(Poema de Christiane Michelin)
O Artista e o Poeta, ambos, como que
anestesiados, silenciaram. Um silêncio obsequioso:
“O SILÊNCIO É O ÚTERO ONDE SE GERAM AS GRANDES
IDÉIAS, ONDE SE ESCREVEM GRANDES ROMANCES E SE COMPÕEM AS MAIS BELAS SINFONIAS.
TODA OBRA DE ARTE É GERADA NO SILÊNCIO: ANTES DE EXPLODIR NO EXTERIOR, ELA
EXPLODIU NO ÍNTIMO DO CORAÇÃO DE ALGUÉM”. (Lembra-nos Frei Sciadini)
VER O BELO É ENXERGÁ-LO
COM OS OLHOS DA ALMA.Sim,
ambos em total contemplação admiravam estas palavras (Poéticas? Plásticas?) Os
instrumentos que ambos têm a sua disposição, quando utilizados para o
crescimento da vida, geram Obras universais, verdadeiras pérolas: Comunicam
e enriquecem a alma e o elixir da vida.
Caiu a tarde, as horas foram saborosamente
consumidas. O desfeche deste encontro, ainda suscitou uma questão final: “Qual
a liberdade na criação da obra?” Gui de Maupassant, escritor e poeta francês, tem
a resposta enriquecedora. Ele nos diz: “O
ARTISTA TEM A LIBERDADE DE EXAGERAR, DE CRIAR UM MUNDO MAIS BELO, MAIS SIMPLES
E MAIS CONSOLADOR QUE O NOSSO”.ESTA É A “LIBERDADE” QUE NOS ESTIMULA A
CRIATIVIDADE...
... EM NOSSAS VIDAS PASSAM PÉROLAS, AS PÉROLAS DO COLAR DA
VIDA. ALGUMAS PORÉM SÃO ESPECIAIS, MERECEM DESTAQUE MAIOR, MERECEM SER
COMPARTILHADAS.
(Deste autor)
Walter Berner 01/2015
(O quadro em destaque é
um “poema sobre uma tela”.
Não há portanto um “local
físico” desta obra)

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