Leitura Bíblica: Mc 10. 46-52
MARCOS no cap. 10.46-52 cita um cego e sua “sorte”. O episódio se dá quando Jesus está saindo de Jericó. Trata-se da cura de uma pessoa que segundo Marcos, conseguia enxergar no passado e ficou cego (confira no verso 51).
Podemos imaginar a situação de uma pessoa cega: Seu sofrimento, sua angústia, sua aflição na vida. Qualquer que seja a lesão ou doença que venhamos a ter, a nossa ansiedade está exatamente em encontrar o caminho para a cura de nossa enfermidade, o mais rápido possível. E sabemos como é: vamos atrás de todos os meios que nos queiram trazer a solução. Ou não é assim?
Certamente que o mendigo sabia das forças espirituais do ilustre que passava à sua frente. Ele, percebe que naquela figura estaria a recuperação de sua vista, e voltaria a enxergar. Tinha fé nisto.
O cego clama, chama insistentemente, mesmo tendo alguns opositores que reclamavam e que pediam para se calar. Ele não cala, ele não se deixa vencer pelo desânimo e pela opressão. Luta, vai em frente, clama com voz mais alta, até que por fim, o seu incessante apelo é ouvido por Jesus.
A vitória! Sim, aquele pobre homem alcança sua meta, mesmo diante de tantos obstáculos. Ele é atendido.
Sabemos pelo texto, que Jesus chama o mendigo, e pergunta: “O que queres que eu faça?”
Curiosa esta pergunta. Ela também é feita a Tiago e João, confira no verso 36 deste mesmo capítulo, mas com reações bem diferentes. O cego implora que apenas deseja “voltar a enxergar”. Não pede vantagens, benefícios por conta de sua desgraça, não “apela” segundo sua “sorte”. Apenas, crendo na força divina de Jesus, e mostrando ter fé absoluta no “Filho de Davi”, pede que lhe seja resgatada a sua visão. A reação de Jesus é precisa e definitiva, e prontamente atende ao solicitante.
Creio que este é o centro desta narrativa: A determinação, a persistência frente às barreiras, a certeza de que sua fé não o vai decepcionar. E finalmente o pedido certo na hora certa. E não por último: A gratidão pela graça conseguida. Deus está sempre presente em nossas vidas. Tenhamos certeza disto. Deus em Seu amado Filho nos atende com muita alegria.
O importante é como e o que pedir. O importante é depositar absoluta confiança no “Filho de Davi”, o Messias, o Filho de Deus.
Certa vez li a seguinte reflexão sobre a “diferença” do que se pede. Dizia o texto: “Duas pessoas estavam com uma carga muito pesada. Mal conseguiam enfrentar a caminhada e as dificuldades que lhes eram impostas. O primeiro orou a Deus: ‘Oh Deus! Tira de mim este fardo, estas dores, esta vida tão cruel... Não agüento mais’. O segundo, em sua sabedoria e humildade, apenas pediu a Deus: ‘Senhor dá-me ombros fortes e muita perseverança, para vencer a jornada a que sou submetido, e assim poderei suportar tudo segundo Suas determinações’. Peça você também a misericórdia e o amparo de Deus...”
Pois é, assim como neste exemplo, também o cego em sua humildade e determinação, pediu o que lhe era realmente necessário. Deus o atendeu...
A realidade desta vida é um espelho cruel. Disto todos têm certeza. Mas cada um de nós pode carregar seu “jugo”, seu fardo, com mais alívio, se a exemplo daquele cego pedirmos a Deus com fé, aquilo que nos é verdadeira necessidade, e a exemplo dos dois homens da comparação citada, saibamos discernir o que nos é preciso para que nossa caminhada nesta vida seja menos penosa, para atingirmos o alvo final, com a certeza da Graça de Deus.
Amém.
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