O NOME DA ARTE (w.l.b.
18/06/2005)
Pois é, estas coisas de dar nomes pela "emoção" ou lá qual
o motivo, sempre dá o que pensar...
Conheci uma menina que tem o nome de "Tecla" em homenagem a meu
pai que foi construtor de Órgãos (de tubos para igrejas), referindo-se à
"tecla" do console (teclado)... Brrrrrrr...
Mas se "arte moderna" passou, prefiro considerá-la a identidade
de uma época. Contudo "contemporâneo" sugere tudo o que é
"atual". Pena que aquelas pessoas (artistas) da contemporaneidade,
não acharam uma outra palavra para identificar a época artística de hoje...
Também, creio, ficaria difícil, pois na atual fase contemporânea as linguagens
são tantas!!.
Vem aí (ou já está aí) a "arte de vanguarda", outra confusão para
definir uma época ou estilo, já que "vanguarda" significa tudo o que
está à ("a" craseado) frente de seu tempo ou local, como o
pelotão (militar) que está na linha de frente para a batalha, ou o sujeito que
está sempre pensando adiante de suas atribuições (líderes) . Creio que,
como disse, diante da multiplicidade de diretrizes que se tem hoje,
especialmente frente à desinformação de muitos (há quem diga que
"estilo" é sinônimo de "técnica", quando na verdade é uma
linguagem atribuída a uma determinada época), as tendências artísticas estão
diante de um caos indefinível, o que nos leva a usar mais regularmente o
sufixo "neo": NEO-impressionista; neo-renascentista; neo-clássico
(??); neo-expressionista; neo-cubista; (("neo-confuso") ;-}} ) e daí
para frente. Até porque não é conveniente "batizar" genericamente uma
tendência artística, conquanto esta tendência é sempre regional e define melhor
um trabalho de determinado grupo ou escola: "Die Brücke";
Impressionismo; "Grupo 80"; (veja por exemplo as várias linguagens artísticas
inseridas numa época renascentidta); ("os cyberartistas" = seriam
artistas que professam uma linguagem coerente que identifica o perfil da
Cyberartes, a "cara da Cyberartes", por exemplo).
Bom é que atualmente "ainda" não se encontrou o nome ideal para o
perfil artístico brasileiro (entenda-se...) assim nós teremos ainda tempo para
uma identificação mais filtrada e pesquisada.
O "caos artístico" está instalado no mundo, especialmente aqui,
enquanto as pessoas pensam que colocar tinta numa tela, sem conhecimentos da
teoria da cor, de sua psicologia, da filosofia, e principalmente sem estar
atento ao poder da comunicação, pode ser chamada de "abstrato e
contemporâneo", e se esquece (discrimina) que uma pintura erudita ou
clássica é igualmente contemporâneo (já que foi executada na atualidade).
Discrimina-se o belo (figurativo ou abstrato fundametado) em nome da
contemporaneidade; exatla-se o "caos" em nome da expressão modista.
Despreza-se contudo o trabalho pesquisado em contraponto do casual (acidental).
Tudo o que não é abstrato e contemporâneo (na linguagem desinformada) se
atribui a uma "pintura acadêmica", quando aí (outra vez) se esquece
que "acadêmico" é tudo o que se realiza na Academia, e no caso de
artes plásticas, leia-se "academia" o espaço físico para
realizar Arte. Neste sentido, a arte abstrata (técnica), é tão acadêmica quanto
qualquer outra técnica ou classificação (erudita, clássica, figurativa,
"ultrapassada" ou lá o nome que queiram dar ao
"não-contemporâneo", ao "não-abstrato") realizada no mesmo
"espaço" físico destinado à pintura artística.
"Dar nomes" realmente é crucial: Seja o nome de uma pessoa,
de um estabelecimento, ou de uma linguagem artística. Confere a quem (ou ao
que) se deu um nome, a responsabilidade perene de sustentar uma
autenticidade e fazer desta o espelho fiel de sua identidade, sob pena de
veicular uma imagem frustrante e falsa, além de estressante e deprimente.
Cabe acrescentar que felizmente a "linguagem artística" está
sustentada numa tríade: "criatividade, técnica e espiritualidade"
(grifo meu). Se esta tríade está sólida, se tem a Arte com "A"
maiúsculo, qualquer que seja o nome ou linguagem a que se deseje atribuir a
ela. Convé "emoldurar a obra, isto sim, mas não "emoldurar" a
arte...
"Arte é a propriedade de realizar com as mãos e com sabedoria,
os seus intentos". Daí "artífice; "artesão";
"artista". Daí o "viver com arte".
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