sábado, 6 de agosto de 2016

O NOME DA ARTE (w.l.b. 18/06/2005)
Pois é, estas coisas de dar nomes pela "emoção"  ou lá qual o motivo, sempre dá o que pensar...
Conheci uma menina que tem o nome de "Tecla" em homenagem a meu pai que foi construtor de Órgãos (de tubos para igrejas), referindo-se à "tecla" do console (teclado)... Brrrrrrr...
Mas se "arte moderna" passou, prefiro considerá-la a identidade de uma época. Contudo "contemporâneo" sugere tudo o que é "atual". Pena que aquelas pessoas (artistas) da contemporaneidade, não acharam uma outra palavra para identificar a época artística de hoje... Também, creio, ficaria difícil, pois na atual fase contemporânea as linguagens são tantas!!.
Vem aí (ou já está aí) a "arte de vanguarda", outra confusão para definir uma época ou estilo, já que "vanguarda" significa tudo o que está à ("a" craseado) frente de seu tempo ou local, como o pelotão (militar) que está na linha de frente para a batalha, ou o sujeito que está sempre pensando adiante de suas atribuições (líderes) . Creio que, como disse, diante da multiplicidade de diretrizes que se tem hoje, especialmente frente à desinformação de muitos (há quem diga que "estilo" é sinônimo de "técnica", quando na verdade é uma linguagem atribuída a uma determinada época), as tendências artísticas estão diante de um caos indefinível, o que nos leva a usar mais regularmente o sufixo "neo": NEO-impressionista; neo-renascentista; neo-clássico (??); neo-expressionista; neo-cubista; (("neo-confuso") ;-}} ) e daí para frente. Até porque não é conveniente "batizar" genericamente uma tendência artística, conquanto esta tendência é sempre regional e define melhor um trabalho de determinado grupo ou escola: "Die Brücke"; Impressionismo; "Grupo 80"; (veja por exemplo as várias linguagens artísticas inseridas numa época renascentidta); ("os cyberartistas" = seriam artistas que professam uma linguagem coerente que identifica o perfil da Cyberartes, a "cara da Cyberartes", por exemplo).
Bom é que atualmente "ainda" não se encontrou o nome ideal para o perfil artístico brasileiro (entenda-se...) assim nós teremos ainda tempo para uma identificação mais filtrada e pesquisada.
O "caos artístico" está instalado no mundo, especialmente aqui, enquanto as pessoas pensam que colocar tinta numa tela, sem conhecimentos da teoria da cor, de sua psicologia, da filosofia, e principalmente sem estar atento ao poder da comunicação, pode ser chamada de "abstrato e contemporâneo", e se esquece (discrimina) que uma pintura erudita ou clássica é igualmente contemporâneo (já que foi executada na atualidade). Discrimina-se o belo (figurativo ou abstrato fundametado) em nome da contemporaneidade; exatla-se o "caos" em nome da expressão modista. Despreza-se contudo o trabalho pesquisado em contraponto do casual (acidental). Tudo o que não é abstrato e contemporâneo (na linguagem desinformada) se atribui a uma "pintura acadêmica", quando aí (outra vez) se esquece que "acadêmico" é tudo o que se realiza na Academia, e no caso de artes plásticas, leia-se "academia" o espaço físico para realizar Arte. Neste sentido, a arte abstrata (técnica), é tão acadêmica quanto qualquer outra técnica ou classificação (erudita, clássica, figurativa, "ultrapassada" ou lá o nome que queiram dar ao "não-contemporâneo", ao "não-abstrato") realizada no mesmo "espaço" físico destinado à pintura artística.
"Dar nomes" realmente é crucial: Seja o nome de uma pessoa, de um estabelecimento, ou de uma linguagem artística. Confere a quem (ou ao que) se deu um nome, a responsabilidade  perene de sustentar uma autenticidade e fazer desta o espelho fiel de sua identidade, sob pena de veicular uma imagem frustrante e falsa, além de estressante e deprimente.
Cabe acrescentar que felizmente a "linguagem artística" está sustentada numa tríade: "criatividade, técnica e espiritualidade" (grifo meu). Se esta tríade está sólida, se tem a Arte com "A" maiúsculo, qualquer que seja o nome ou linguagem a que se deseje atribuir a ela. Convé "emoldurar a obra, isto sim, mas não "emoldurar" a arte...

"Arte é a propriedade de realizar com as mãos e com sabedoria, os seus intentos". Daí "artífice; "artesão"; "artista". Daí o "viver com arte".

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